Lugano, campeão mundial com o São Paulo há exatos cinco anos, está no
Fenerbahçe, da Turquia, mas ainda mantém forte ligação com o clube do
Morumbi. Neste sábado, dia 18 de dezembro, o Tricolor divulgou em seu
site oficial uma carta que o uruguaio escreveu lembrando um dos dias
mais felizes de sua vida.
Confira abaixo a íntegra do texto escrito por Diego Lugano, ídolo dos são-paulinos:
“O dia 18 de dezembro de 2005 com certeza ficará guardado pra
sempre na minha memória. Lembro de tudo como se fosse hoje. Aquele jogo
não sai da cabeça um minuto sequer. Posso dizer que a alegria que senti
naquele dia é comparável à do nascimento dos meus três filhos: Nicolás,
Thiago e Bianca.
Lembro perfeitamente de cada detalhe daquele dia. Lembro de como
acordei, das sensações que senti, do que passou pela minha cabeça, da
saída do hotel para o estádio, da chegada e do desembarque da equipe, do
clima no vestiário, de tudo.
Numa partida como essa a concentração é ainda mais importante e eu
estava muito focado. Pensava na minha família, nos meus amigos, no meu
país, na minha cidade e é claro nos milhões de são-paulinos que estavam
no Brasil torcendo por nós.
Tudo passa pela cabeça num momento decisivo. Todas as dificuldades
que você superou para alcançar seus objetivos vêm na mente numa hora
dessas. É o que te motiva a ir além, a brigar, a lutar, a seguir em
busca do que você deseja.
Por isso o foco em ser campeão era maior do que tudo. Aquele time
era assim. Nosso grupo era unido, era guerreiro, era lutador. Você
olhava pra cada um dos jogadores e sabia que todos ali dariam a vida por
você. Isso faz um time ser campeão. Esse era o diferencial da nossa
equipe.
Lembro que fomos assistir o primeiro jogo do Liverpool no Mundial
de Clubes e saímos impressionados. O time deles era muito bom. Técnica e
taticamente eles vinham muito bem na competição. A vitória por 3 a 0
sobre o Saprissa demonstrou as dificuldades que teríamos na final.
Mas nem isso foi capaz de deter nosso time. Nós sabíamos também da
nossa força. Sabíamos que aquele título poderia e tinha que ser nosso.
Quando começou o jogo e o time reagiu bem a toda pressão sofrida
tive ainda mais certeza de que seríamos campeões. A vibração de todos em
campo, a entrega, a luta. Não tinha como voltar pro Brasil sem aquele
troféu.
No gol do Mineirinho foi uma festa só. Fiz questão de atravessar
todo o campo para dar um abraço nele. Ele é um cara fantástico, merecia
esse prêmio. Uma sensação ótima tomou conta do time, mas sabíamos que
não estava nada ganho e por isso seguimos firmes, fortes na defesa, com
muita marcação de todo mundo que estava em campo.
As defesas do Rogério são inesquecíveis também. Acho que poderíamos
jogar por muito mais tempo que o título seria nosso. A gente não
tomaria gol de jeito nenhum. Não tinha como não ser tricampeão naquele
jogo.
No último lance do jogo lembro que disputei no alto com o Crouch,
ela passou e o outro jogador chutou pra fora. Ali veio finalmente a
sensação do título. Quando o juiz apitou corri com o Fabão pra abraçar o
Rogério e todos os jogadores vieram na sequência. É o melhor sentimento
mundo.
O longo tempo de trabalho, tudo que planejamos e organizamos
durante o ano de 2005 foi recompensado. Não poderia deixar de lembrar
todos que ajudaram durante todo o caminho e em especial ao presidente
Marcelo Portugal Gouvêa, a quem serei grato pra sempre.
Hoje com certeza terá comemoração aqui na Turquia.”
Retirado do site Globo.com

Sem comentários:
Enviar um comentário