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sexta-feira, 9 de setembro de 2011
sexta-feira, 17 de junho de 2011
Quando a América foi, pela primeira vez, Tricolor! Eu estava lá !
Há 19 anos, o São Paulo FC conquistava a Copa Libertadores da América pela primeira vez
Se você, são-paulino, tem menos de 25 anos, talvez os detalhes lhe escapem à memória. Contudo, certamente jamais esqueceu ou esquecerá a emoção vivida. Se por acaso tem mais de 25 anos, sem dúvida alguma tem em mente um jogo divisor de águas. De sua própria vida, como da vida de seu clube. Um jogo ocorrido há exatos 19 anos.Em 17 de junho de 1992, o Estádio Cícero Pompeu de Toledo presenciou a maior explosão de alegria da história do local. Mais de 115 mil pessoas assistiram ao épico festejo da conquista da Taça Libertadores da América de 1992. Milhares das quais, inclusive, proporcionaram a lendária invasão (ordeira e civilizada - bom ressaltar) que se viu por esse gramado.
Carregando os ídolos nos ombros, do campo à pista olímpica, despindo-os de problemas superados e percalços ultrapassados durante toda a competição (e claro, também de suas camisas, grandes relíquias), os torcedores celebravam aquele feito que, se não inédito, ressuscitou o interesse e o futebol brasileiro à conquista da América.
Caminhos da América
O sonho, que se iniciou ano antes com o tricampeonato nacional, quase se tornou pesadelo com a inusitada derrota por 3 a 0 para o Criciúma, na primeira rodada. O comandante Telê Santana não estimava o torneio, por décadas regido por violência e doping, e escalou um "misto".
Porém, após muita pressão, a Conmebol adotou o controle de dopagem, ao menos em jogos do São Paulo FC (mesmo que o Tricolor tivesse que pagar os custos do procedimento). Após esses desafios políticos e internos, a altura dos Andes seria o próximo empecilho, superado graças ao desenvolvimento técnico e científico da comissão técnica, chefiada nesse departamento por Moracy Sant'Anna.
Os adversários foram caindo um a um. San José, Bolivar, Criciúma (o troco), Nacional de Montevidéu, Criciúma novamente (quem mandou provocar) e, depois do Barcelona de Guayaquil, a grande final contra o time argentino comandado por 'El Loco' Bielsa, o Newell's Old Boys.
Um dia para sempre
Na primeira partida da decisão, derrota pelo placar mínimo. Confiança plena no jogo de volta, em um Morumbi fervilhante. Impiedosa, a equipe Tricolor, capitaneada por Raí, não perdoou os argentinos que, todavia resistiram, salvando até mesmo um lance em cima da linha.
Mesmo com todo o sufoco imposto, a equipe portenha somente vacilou aos 22 minutos do segundo tempo, quando Gamboa cometeu pênalti em Macedo. Raí converteu a cobrança. Mesmo placar do jogo de ida, 1x0. Decisão por pênaltis, dramática claro, mas já bem conhecida por todo são-paulino.
A série de cobranças foi desigual. Os argentinos contaram somente com seus jogadores na disputa, já os são-paulinos com mais duas pessoas. Valdir de Moraes, preparador de goleiros, havia estudado o modo de cobrar dos adversários, e Alexandre, o goleiro reserva, repassou as informações à Zetti durante as penalidades.
Berizzo perdeu. Raí marcou novamente. Zamora venceu Zetti, mas Ivan também guardou. Llop empatou, e o placar permaneceu assim, pois Ronaldão errou. Então Mendoza retribuiu o favor e bateu por cima. Cafu pôs o São Paulo na frente, 3x2.
A última cobrança da série normal seria de Gamboa. Zetti foi magistral. Saltou para a esquerda e, de mão trocada, espalmou a bola para fora. Estava decidido. O São Paulo era, pela primeira vez, Campeão da Copa Libertadores da América!
O resto da história todos conhecem, o gramado do Morumbi nunca foi tão vermelho, branco e preto!
Ficha da partida
17.06.1992 São Paulo (Brasil) Estádio Cícero Pompeu de Toledo, Morumbi
SÃO PAULO Futebol Clube 1 x 0 Club Atlético NEWELL'S OLD BOYS
Nos pênaltis: 3 x 2 para o São Paulo
SPFC: Zetti, Cafu, Antônio Carlos, Ronaldão e Ivan; Adílson, Pintado e Raí (capitão); Muller (Macedo), Palhinha e Elivélton. Técnico: Telê Santana.
Gol: Raí (pênalti), 22'/2
CANOB: Scoponi, Saldaña, Gamboa (capitão), Pocchettino e Berizzo; Llop, Berti e Martino (Domizzi); Zamora, Lunari e Mendoza. Técnico: Marcelo Bielsa.
Árbitro: José Joaquín Torres Cadenas (Colômbia)
Assistente 1: Jorge Zuluaga (Colômbia)
Assistente 2: John Redón (Colômbia)
Renda: Cr$ 1.072.490.000,00
Público: 105.185 pagantes, mais de 115 presentes
Pênaltis:
Berizzo - perdeu (trave) / Raí - gol
Zamora - gol / Ivan - gol
Llop - gol / Ronaldão - perdeu
Mendoza - perdeu (por cima) / Cafu - gol
Gamboa - perdeu (Zetti) / Pintado (não precisou cobrar)
domingo, 5 de junho de 2011
Lugano reitera paixão pelo São Paulo, mas diz que fica no Fenerbahce
O zagueiro uruguaio Diego Lugano aproveitou o término do Campeonato Turco para rever os amigos no CT do São Paulo. Campeão nacional com o Fenerbahce, o jogador reiterou amor ao clube paulista, mas destacou que não pensa em retornar tão cedo.Lugano tem mais dois anos de contrato com o Fenerbahce e se diz muito feliz na Turquia.
"Não é uma situação simples. Estou muito bem no clube, valorizado e respeitado por todos, fomos campeões nacionais e vamos disputar a próxima Liga dos Campeões. O Fenerbahce conta comigo para a sequência dos trabalhos e eu respeito muito a instituição", disse o uruguaio ao site oficial do São Paulo.
Para a zaga, o São Paulo estuda trazer outro uruguaio: Coates, do Nacional-URU. O clube aguarda o término do torneio no Uruguai e também uma posição do patrocinador para oficializar Coates. Lugano é um sonho da diretoria.
"É claro que penso em voltar um dia, mas não tenho bola de cristal, não sei quando isso poderá acontecer. Não podemos esquecer também que depende da necessidade do clube. Não sou nenhum craque, não sou o Messi que pode escolher onde jogar, precisamos ver se no futuro o São Paulo vai precisar dos meus serviços", destaca Lugano.
O vice-presidente de futebol João Paulo de Jesus Lopes conta que Lugano um dia voltará ao clube.
"O Lugano vai voltar, o que ainda não sabemos é quando. Além de todo futebol que tem e de ser um grande comandante dentro de campo, ele influência muito na motivação dos demais e esse é outro grande atrativo dele. Isso sem falar da veneração da torcida por seu nome", diz.
sábado, 18 de dezembro de 2010
Lugano comemora os 5 anos do Tri-Mundial
Lugano, campeão mundial com o São Paulo há exatos cinco anos, está no
Fenerbahçe, da Turquia, mas ainda mantém forte ligação com o clube do
Morumbi. Neste sábado, dia 18 de dezembro, o Tricolor divulgou em seu
site oficial uma carta que o uruguaio escreveu lembrando um dos dias
mais felizes de sua vida.
Confira abaixo a íntegra do texto escrito por Diego Lugano, ídolo dos são-paulinos:
“O dia 18 de dezembro de 2005 com certeza ficará guardado pra sempre na minha memória. Lembro de tudo como se fosse hoje. Aquele jogo não sai da cabeça um minuto sequer. Posso dizer que a alegria que senti naquele dia é comparável à do nascimento dos meus três filhos: Nicolás, Thiago e Bianca.
Lembro perfeitamente de cada detalhe daquele dia. Lembro de como acordei, das sensações que senti, do que passou pela minha cabeça, da saída do hotel para o estádio, da chegada e do desembarque da equipe, do clima no vestiário, de tudo.
Numa partida como essa a concentração é ainda mais importante e eu estava muito focado. Pensava na minha família, nos meus amigos, no meu país, na minha cidade e é claro nos milhões de são-paulinos que estavam no Brasil torcendo por nós.
Tudo passa pela cabeça num momento decisivo. Todas as dificuldades que você superou para alcançar seus objetivos vêm na mente numa hora dessas. É o que te motiva a ir além, a brigar, a lutar, a seguir em busca do que você deseja.
Por isso o foco em ser campeão era maior do que tudo. Aquele time era assim. Nosso grupo era unido, era guerreiro, era lutador. Você olhava pra cada um dos jogadores e sabia que todos ali dariam a vida por você. Isso faz um time ser campeão. Esse era o diferencial da nossa equipe.
Lembro que fomos assistir o primeiro jogo do Liverpool no Mundial de Clubes e saímos impressionados. O time deles era muito bom. Técnica e taticamente eles vinham muito bem na competição. A vitória por 3 a 0 sobre o Saprissa demonstrou as dificuldades que teríamos na final.
Mas nem isso foi capaz de deter nosso time. Nós sabíamos também da nossa força. Sabíamos que aquele título poderia e tinha que ser nosso.
Quando começou o jogo e o time reagiu bem a toda pressão sofrida tive ainda mais certeza de que seríamos campeões. A vibração de todos em campo, a entrega, a luta. Não tinha como voltar pro Brasil sem aquele troféu.
No gol do Mineirinho foi uma festa só. Fiz questão de atravessar todo o campo para dar um abraço nele. Ele é um cara fantástico, merecia esse prêmio. Uma sensação ótima tomou conta do time, mas sabíamos que não estava nada ganho e por isso seguimos firmes, fortes na defesa, com muita marcação de todo mundo que estava em campo.
As defesas do Rogério são inesquecíveis também. Acho que poderíamos jogar por muito mais tempo que o título seria nosso. A gente não tomaria gol de jeito nenhum. Não tinha como não ser tricampeão naquele jogo.
No último lance do jogo lembro que disputei no alto com o Crouch, ela passou e o outro jogador chutou pra fora. Ali veio finalmente a sensação do título. Quando o juiz apitou corri com o Fabão pra abraçar o Rogério e todos os jogadores vieram na sequência. É o melhor sentimento mundo.
O longo tempo de trabalho, tudo que planejamos e organizamos durante o ano de 2005 foi recompensado. Não poderia deixar de lembrar todos que ajudaram durante todo o caminho e em especial ao presidente Marcelo Portugal Gouvêa, a quem serei grato pra sempre.
Hoje com certeza terá comemoração aqui na Turquia.”
Retirado do site Globo.com
Confira abaixo a íntegra do texto escrito por Diego Lugano, ídolo dos são-paulinos:
“O dia 18 de dezembro de 2005 com certeza ficará guardado pra sempre na minha memória. Lembro de tudo como se fosse hoje. Aquele jogo não sai da cabeça um minuto sequer. Posso dizer que a alegria que senti naquele dia é comparável à do nascimento dos meus três filhos: Nicolás, Thiago e Bianca.
Lembro perfeitamente de cada detalhe daquele dia. Lembro de como acordei, das sensações que senti, do que passou pela minha cabeça, da saída do hotel para o estádio, da chegada e do desembarque da equipe, do clima no vestiário, de tudo.
Numa partida como essa a concentração é ainda mais importante e eu estava muito focado. Pensava na minha família, nos meus amigos, no meu país, na minha cidade e é claro nos milhões de são-paulinos que estavam no Brasil torcendo por nós.
Tudo passa pela cabeça num momento decisivo. Todas as dificuldades que você superou para alcançar seus objetivos vêm na mente numa hora dessas. É o que te motiva a ir além, a brigar, a lutar, a seguir em busca do que você deseja.
Por isso o foco em ser campeão era maior do que tudo. Aquele time era assim. Nosso grupo era unido, era guerreiro, era lutador. Você olhava pra cada um dos jogadores e sabia que todos ali dariam a vida por você. Isso faz um time ser campeão. Esse era o diferencial da nossa equipe.
Lembro que fomos assistir o primeiro jogo do Liverpool no Mundial de Clubes e saímos impressionados. O time deles era muito bom. Técnica e taticamente eles vinham muito bem na competição. A vitória por 3 a 0 sobre o Saprissa demonstrou as dificuldades que teríamos na final.
Mas nem isso foi capaz de deter nosso time. Nós sabíamos também da nossa força. Sabíamos que aquele título poderia e tinha que ser nosso.
Quando começou o jogo e o time reagiu bem a toda pressão sofrida tive ainda mais certeza de que seríamos campeões. A vibração de todos em campo, a entrega, a luta. Não tinha como voltar pro Brasil sem aquele troféu.
No gol do Mineirinho foi uma festa só. Fiz questão de atravessar todo o campo para dar um abraço nele. Ele é um cara fantástico, merecia esse prêmio. Uma sensação ótima tomou conta do time, mas sabíamos que não estava nada ganho e por isso seguimos firmes, fortes na defesa, com muita marcação de todo mundo que estava em campo.
As defesas do Rogério são inesquecíveis também. Acho que poderíamos jogar por muito mais tempo que o título seria nosso. A gente não tomaria gol de jeito nenhum. Não tinha como não ser tricampeão naquele jogo.
No último lance do jogo lembro que disputei no alto com o Crouch, ela passou e o outro jogador chutou pra fora. Ali veio finalmente a sensação do título. Quando o juiz apitou corri com o Fabão pra abraçar o Rogério e todos os jogadores vieram na sequência. É o melhor sentimento mundo.
O longo tempo de trabalho, tudo que planejamos e organizamos durante o ano de 2005 foi recompensado. Não poderia deixar de lembrar todos que ajudaram durante todo o caminho e em especial ao presidente Marcelo Portugal Gouvêa, a quem serei grato pra sempre.
Hoje com certeza terá comemoração aqui na Turquia.”
Retirado do site Globo.com
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
SPFC = Amor que não se mede!
De onde veio esse amor? Como ele te arrebatou?
A gente aprende a amar antes de entender. Aprende a venerar.
Respeitar.
Adorar.
Tá no sangue? DNA?
Procurar explicação para um amor intamanhável é tolice.
Sentir é bom.
Vivemos uma vida de dedicação ao SPFC.
Minha
história com o Tricolor é extensa: comecei a me apaixonar antes mesmo
de falar direito. Virei torcedora antes de saber escrever.
De berço? Não.
Sou
filha de uma ex-palmeirense e de um ex-fluminense. Neta de um
corintiano fervoroso, sobrinha de flamenguistas e prima de
botafoguenses. Agora, como surgiu essa minha paixão pelo time do Morumbi
eu não sei. Sei que tomou conta de mim.
Tentaram
suborno, chantagem, ameaças e nada. Nada conseguiu tirar a convicção de
que eu já havia escolhido o time do meu coração.
A gente nasce sabendo? Talvez.
Uma
mistura de amor, raiva, riso e choro: A gente cobra e quer ver o
resultado. A gente chora e quer ser respeitado. A gente ri esperando
gargalhar: são tantas felicidades, inúmeras alegrias que não conseguimos
enumerar.
São-Paulino
é tinhoso, raça mal acostumada: afinal, que outro time tupiniquim
conseguiu libertar a América e conquistar o Mundo tantas vezes? Somos os
únicos “hexagerados”, com muito orgulho!
Time que nunca nos traiu. Que nunca nos decepcionou.
Nunca foi abandonado, nunca será.
Que entra em campo pra ganhar.
Faz vibrar, faz gritar, nos surpreende e renova os nossos ânimos a cada começo de temporada.
“A cada dia te quero mais”: frase que ficou cravada na nossa mente.
E tem como não querer tanto?
Impossível.
Só quem é, sabe.
Existe sensação melhor do que ver o seu time entrar em campo?
Conhecer ídolos que não pudemos ver atuando?
Rever jogos, ouvir histórias, acompanhar carreiras promissoras?
Um
pouco mais de 7 décadas e uma tradição riquíssima. Quem consegue ser
tão vitorioso quanto o nosso Soberano? NINGUÉM! E esse orgulho nós
ostentamos.
Podem falar, podem reclamar: eu nunca vou deixar de te amar, SPFC!
Um orgulho que não pára de crescer.
Uma honra, uma glória, um prazer, pois eu sou Tricolor até morrer.
Contem as suas histórias de amor pelo Tricolor aqui. Declare seu orgulho, grite a sua paixão!
Dia 16/12 está chegando e vamos fortalecer a hashtag #16dezMARBRANCO no twitter em homenagem ao Maior do Mundo. http://bit.ly/SPFC16dezMarBranco
Vamos lá?
Aonde você vai, São Paulo, eu vou com você!
Publicado em: http://www.spfcdigital.com.br/colunas/41-fe-santana/1077-spfc-amor-que-nao-se-mede
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Lugano: Estrela Celeste. Sangue Tricolor por Fê Santana
Diego Alfredo Lugano Moreno nasceu dia 2 de novembro de 1980, em Canelones (Uruguai).
Começou sua história no futebol quando era apenas um menino. Começou no Três Esquinas com apenas 4 anos de idade e aos 14 foi para o Club Libertad de Canelones. Jogou também no Nacional de Montevidéu e por lá ficou até 2001. Passou pelo Plaza Colonia e em 2003 foi contratado pelo São Paulo Futebol Clube.
Com o codinome “zagueiro do Presidente”, Lugano chegou sob forte desconfiança. Afinal, ninguém o conhecia aqui no Brasil. Marcelo Portugal Gouvêa, nosso saudoso presidente, foi ousado e o contratou por 200 mil dólares. Ele era a aposta para endireitar a defesa Tricolor.
Durante a apresentação do jogador, um fotógrafo disse para Lugano:
“Dê um sorriso, Lugano. Mostra que está contente”
Logo ele respondeu:
”Não vejo motivo nenhum para sorrir sem razão. Vim aqui para vencer e só vou dar risada quando estiver comemorando algum título.”
Este fato está descrito no maravilhoso livro “Tricolor Celeste”, de Luis Augusto Simon.
O uruguaio chegou e não agradou o técnico Oswaldo de Oliveira. Nem para o banco ele era relacionado. Quando Oswaldo foi demitido, más línguas disseram que era culpa de Lugano. Que o técnico tinha sido demitido por que não escalava o “Zagueiro do Presidente”. Essa afirmação deixou Lugano muito chateado (e com motivo).
Ele sabia que precisava se esforçar para convencer. Sabia que era capaz e tinha noção de que precisava se dedicar bastante.
E assim o fez.
Após um tempo de desânimo e de muita contestação, ele não queria desistir. E manteve seu pensamento dessa forma. Insistiu. Persistiu.
Aos poucos, Lugano foi conquistando seu espaço e sua personalidade foi envolvendo a torcida. O zagueiro também ganhou alguns desafetos: quem aqui não lembra do atrito com o Elano, em 2004? “Lugano, pega o Elano!” era a frase entoada a plenos pulmões pela torcida Tricolor.
Em 2004, após uma série de bons jogos, o uruguaio estava a um passo de virar ídolo e xodó dos São-Paulinos.
Em 2005, Lugano começou com o pé direito. Marcou seu primeiro gol e iniciou um ano de glórias!
Fez partidas excelentes (para não dizer perfeitas) e mostrou o seu valor. Deixou muitos críticos boquiabertos e levou a torcida ao delírio!
Libertadores da América foi uma competição abrilhantada. Nosso elenco era uma constelação. Que zaga! Não há quem diga que o elenco de 2005 não se completava.
Lugano conseguiu mostrar a que veio.
Com toda a sua força, garra, raça e dedicação, ele se tornou um dos maiores ídolos do São Paulo.
Motivo de orgulho escancarado para a torcida e sobretudo para o nosso excelentíssimo presidente.
Aquele era o zagueiro dele! Reverenciem!
Lugano sabia usar a sua força (os adversários que o digam) e sabia se colocar muito bem. Tinha um ótimo senso de posicionamento e assim, definitivamente, se tornou o queridinho da torcida.
Além de impor respeito, ele também conseguia intimidar os rivais com um simples olhar.
Bom… não tão simples assim.
Esbugalhava seus olhos e partia pra cima.
Peitava.
Era temido.
Sabia como fazer com que os outros sentissem medo.
A torcida ficava louca ao vê-lo numa dividida.
Haviam loucos que ousavam passar por ele. Ninguém ultrapassava essa muralha.
Era imbatível. Inigualável. Insuperável e indefinível.
Apesar de tentar achar palavras para defini-lo, fico com a sensação de que nenhuma é capaz de demonstrar toda a admiração que sinto por ele.
Minha idolatria é enorme.
Tento, sem sucesso, achar algo que expresse o que sinto.
Impossível.
Lugano lutava.
Entrava em um jogo como se entra em uma batalha.
De que adianta jogar se não for para vencer?
A sua determinação contagiava toda a equipe.
Se doava como ninguém.
Dava o sangue pelo São Paulo.
Vibrava como se cada jogo fosse uma final de campeonato.
Quem diria que chegaria tão longe?
É Diego DIOS Lugano.
É ídolo incontestável.
Leva consigo o amor pelo São Paulo.
Leva consigo toda uma Nação.
Atualmente, Diego Lugano defende o Fenerbahçe – Turquia e é capitão da Seleção Uruguaia (nossa querida Celeste!)
Ocupa também (em tempo integral) o coração de todos os Tricolores.
Ele é GUERREIRO e nunca perde o seu VALOR!
FêSantana no twitter @tekilando.
Texto original: http://3toques.com.br/blogs/fesantana/2010/10/05/especial-libertadores-2005-diego-lugano/
Começou sua história no futebol quando era apenas um menino. Começou no Três Esquinas com apenas 4 anos de idade e aos 14 foi para o Club Libertad de Canelones. Jogou também no Nacional de Montevidéu e por lá ficou até 2001. Passou pelo Plaza Colonia e em 2003 foi contratado pelo São Paulo Futebol Clube.
Com o codinome “zagueiro do Presidente”, Lugano chegou sob forte desconfiança. Afinal, ninguém o conhecia aqui no Brasil. Marcelo Portugal Gouvêa, nosso saudoso presidente, foi ousado e o contratou por 200 mil dólares. Ele era a aposta para endireitar a defesa Tricolor.
Durante a apresentação do jogador, um fotógrafo disse para Lugano:
“Dê um sorriso, Lugano. Mostra que está contente”
Logo ele respondeu:
”Não vejo motivo nenhum para sorrir sem razão. Vim aqui para vencer e só vou dar risada quando estiver comemorando algum título.”
Este fato está descrito no maravilhoso livro “Tricolor Celeste”, de Luis Augusto Simon.
O uruguaio chegou e não agradou o técnico Oswaldo de Oliveira. Nem para o banco ele era relacionado. Quando Oswaldo foi demitido, más línguas disseram que era culpa de Lugano. Que o técnico tinha sido demitido por que não escalava o “Zagueiro do Presidente”. Essa afirmação deixou Lugano muito chateado (e com motivo).
Ele sabia que precisava se esforçar para convencer. Sabia que era capaz e tinha noção de que precisava se dedicar bastante.
E assim o fez.
Após um tempo de desânimo e de muita contestação, ele não queria desistir. E manteve seu pensamento dessa forma. Insistiu. Persistiu.
Aos poucos, Lugano foi conquistando seu espaço e sua personalidade foi envolvendo a torcida. O zagueiro também ganhou alguns desafetos: quem aqui não lembra do atrito com o Elano, em 2004? “Lugano, pega o Elano!” era a frase entoada a plenos pulmões pela torcida Tricolor.
Em 2004, após uma série de bons jogos, o uruguaio estava a um passo de virar ídolo e xodó dos São-Paulinos.
Em 2005, Lugano começou com o pé direito. Marcou seu primeiro gol e iniciou um ano de glórias!
Fez partidas excelentes (para não dizer perfeitas) e mostrou o seu valor. Deixou muitos críticos boquiabertos e levou a torcida ao delírio!
Libertadores da América foi uma competição abrilhantada. Nosso elenco era uma constelação. Que zaga! Não há quem diga que o elenco de 2005 não se completava.
Lugano conseguiu mostrar a que veio.
Com toda a sua força, garra, raça e dedicação, ele se tornou um dos maiores ídolos do São Paulo.
Motivo de orgulho escancarado para a torcida e sobretudo para o nosso excelentíssimo presidente.
Aquele era o zagueiro dele! Reverenciem!
Lugano sabia usar a sua força (os adversários que o digam) e sabia se colocar muito bem. Tinha um ótimo senso de posicionamento e assim, definitivamente, se tornou o queridinho da torcida.
Além de impor respeito, ele também conseguia intimidar os rivais com um simples olhar.
Bom… não tão simples assim.
Esbugalhava seus olhos e partia pra cima.
Peitava.
Era temido.
Sabia como fazer com que os outros sentissem medo.
A torcida ficava louca ao vê-lo numa dividida.
Haviam loucos que ousavam passar por ele. Ninguém ultrapassava essa muralha.
Era imbatível. Inigualável. Insuperável e indefinível.
Apesar de tentar achar palavras para defini-lo, fico com a sensação de que nenhuma é capaz de demonstrar toda a admiração que sinto por ele.
Minha idolatria é enorme.
Tento, sem sucesso, achar algo que expresse o que sinto.
Impossível.
Lugano lutava.
Entrava em um jogo como se entra em uma batalha.
De que adianta jogar se não for para vencer?
A sua determinação contagiava toda a equipe.
Se doava como ninguém.
Dava o sangue pelo São Paulo.
Vibrava como se cada jogo fosse uma final de campeonato.
Quem diria que chegaria tão longe?
É Diego DIOS Lugano.
É ídolo incontestável.
Leva consigo o amor pelo São Paulo.
Leva consigo toda uma Nação.
Atualmente, Diego Lugano defende o Fenerbahçe – Turquia e é capitão da Seleção Uruguaia (nossa querida Celeste!)
Ocupa também (em tempo integral) o coração de todos os Tricolores.
Ele é GUERREIRO e nunca perde o seu VALOR!
FêSantana no twitter @tekilando.
Texto original: http://3toques.com.br/blogs/fesantana/2010/10/05/especial-libertadores-2005-diego-lugano/
domingo, 29 de agosto de 2010
Gino, Tanque de Guerra, Arma Mortífera! por Dr. Catta Preta
Gino Orlando nasceu em
03/09/29. Paulistano da gema, Gino cresceu assistindo ao esplendor do futebol
em São Paulo.
A juventude de Gino Orlando foi uma juventude de delírio futebolístico.
Sim, porque os anos 40 foram anos poéticos para o futebol paulista. Gino, aquele jovem de dezesseis, dezessete anos, ia ao Pacaembu ver os shows de Leônidas, Bauer e Sastre, que ganhavam tudo pelo São Paulo, Gino ia ver Oberdan, Villadoniga e Lima envergando a camisa do Palmeiras, Gino assistia embevecido aos shows de Domingos da Guia, de Servílio e de Hércules pelo Corinthians.
Gino, como tantos adolescentes e jovens daquela época de ouro, queria ser jogador de futebol.
Aos vinte anos, ele procurou o Palmeiras. Corria o ano de 1949, ele tinha vinte anos, o Palmeiras era mais perto da casa dele, amigos o influenciaram a procurar o clube esmeraldino, alguém o levou ao Parque Antarctica para treinar, hoje um jogador se profissionaliza aos dezesseis anos, naquele tempo se descobria uma craque aos vinte, vinte e dois anos, ou mais...
Gino, como tantos, jogava na várzea.
Nos campos da várzea paulistana, seu nome vinha crescendo, naqueles tempos era na várzea que se forjavam as pérolas da bola, na várzea os craques proliferavam.
De Gino se dizia o seguinte: é um tanque de guerra, é uma arma mortífera de fazer gols!
O Palmeiras o acolheu. Mas o Palmeiras era uma plêiade de grandes astros experimentados. Gino foi aprovado, assim como seria aprovado Dino, sim, Dino Sani, “Il Signore Sani”, que era seu grande amigo e parceiro de várzea.
Mas, mal aproveitados, ambos foram emprestados ao XV de Jaú. No interior, ele e Dino transformaram-se em sucesso, chamaram a atenção, mas o Palmeiras os ignorou.
Gino e Dino foram então para o extinto Comercial da Capital e no Comercial seguiram fazendo furor enquanto o Palmeiras contratava craques já formados para enfrentar o imbatível São Paulo de Remo e Cia.
E foi justamente o Tricolor Paulista quem deitou vistas sobre os inseparáveis amigos, Gino e Dino.
O São Paulo tinha um time envelhecido, queria renovar, contratou os dois.
Gino custou ao São Paulo, em
1952, a bagatela de Cr$ 300.000 cruzeiros, Dino viria dois anos depois e
custaria ainda muito menos.
Sem ganhar o Campeonato Paulista desde 1949, ano do encerramento da carreira do inesquecível Leônidas da Silva, o São Paulo, aos poucos, foi refazendo seu time e, em 1953, armou um novo esquadrão, que sacudiu o país.
Tudo era novo no Tricolor.
Poy, o lendário goleiro argentino, iria marcar época, Mauro Ramos de Oliveira, o grande Mauro, o zagueiro elegante, iria solidificar seu nome, Maurinho, a flecha, iria despontar, Albella, o argentino ponta de lança faria estremecer os adversários, Pé de Valsa, o médio bailarino daria espetáculo e Gino, o tanque de guerra, a arma mortífera, passaria a ser o motivo da insônia dos rivais.
Sim, pois Gino era um destruidor de defesas!
Gino, lançado pelo técnico Vicente Feola, estreou num “Majestoso”, no Pacaembu, em 12/03/53, pelo Campeonato Paulista, e o São Paulo perdeu por 3 x 2. O menino não tremeu, encarou a defesa corintiana, duelou, trombou, dividiu, a torcida sentiu que aquele garoto vinha com uma sede de gols que dava gosto...
Na semana seguinte novo clássico, o Choque-Rei, no mesmo Pacaembu, e uma fragorosa derrota por 4 x 0.
Estremeceram-se as bases mas, Feola, o grande pai, o técnico bonachão e multi-vencedor, manteve o jovem time para as partidas subseqüentes.
Feola, dez dias depois, fez um amistoso contra o Atlético Mineiro, havia tempo para amistosos, o jogo foi no Estádio Independência em Belo Horizonte, não havia Mineirão, e o São Paulo ganhou por 3 x 0. O primeiro gol foi de Gino, um gol de insistência, depois de um demorado perde e ganha, depois de dividir a bola três vezes com um zagueiro do galo.
Gino Orlando, a máquina mortífera, nunca mais sairia do time.
Gino, aquele insistente, aquele obcecado pelo gozo de ver a bola no fundo do gol do adversário, passou a ser a esperança de gols da torcida são-paulina.
Gino tinha fome de gols, a alegria de Gino era ver a rede balançando, ele não
era habilidoso, não! Longe disso! Mas era um goleador espetacular. Em entrevista a uma rádio paulista alguém, desinformado, perguntou a Gino, nos primeiros dias de sua saga de glórias, se ele gostaria de jogar um pouco mais recuado e ele respondeu: “Não! “Quero jogar de artilheiro, meu negócio é fazer gols”!
Gino iria marcar época no São Paulo FC.
Já em 1953, ano de sua estréia, ele arrebentou. O Pacaembu ficava em solene suspense até os últimos momentos de qualquer jogo do Bem Amado; o tanque de guerra, a arma mortífera, podia decidir e levar o São Paulo à vitória com uma cabeçada, com uma trombada, com um gol mágico, tirado da cartola quando ninguém mais esperava.
Ai dos beques se vacilassem, o homem era um perigo!
Gino virou ídolo.
O São Paulo foi Campeão Paulista de 1.953 vencendo o Santos, por 3 gols a 1 em plena Vila Belmiro, Gino não fez gols mas incomodou, brigou, guerreou, chamou a atenção, abriu espaços, encantou. O jogo final aconteceu em 24/01/54; erra, portanto, quem diz que houve outro “Campeão do Centenário”, pois o primeiro campeão do ano de 1954, ano do quarto centenário de São Paulo, foi o São Paulo FC, embora o título se referisse ao ano anterior!
Ouviram, iguais?
O primeiro campeão do ano de 1954 foi o São Paulo de Gino!
Espalhem!
E Gino Orlando foi se acostumando com a responsabilidade de vestir a camisa das três cores mais lindas do mundo, era como se tivesse começado no São Paulo.
Gino não tinha medo de nada, zagueiro nenhum o parava, Gino desbravava a área como um saqueador, era implacável. Desandou a marcar gols.
Houve um período difícil na vida São Paulo. O time sofreu várias mudanças, o projeto Morumbi começou a ser implantado, dinheiro só era gasto com muita parcimônia, era em Gino que se concentravam as esperanças de nossos gols.
E ele não decepcionava. “Gooool de Ginooo”, gritavam os narradores do rádio!
O São Paulo era Gino, o tanque de guerra, a arma mortífera, e mais dez.
O povo pediu e Gino foi à seleção.
Em 1956, em partida inesquecível, no histórico Estádio do Vale do Jamor, em Portugal, Gino assombrou o mundo e fez, de bicicleta, o gol que deu a vitória ao Brasil por 1 x 0. Sim, de bicicleta!
O Brasil nunca havia vencido uma Copa do Mundo, aquela vitória na Europa e aquele gol da “arma mortífera”, Gino, o transformaram de vez em celebridade, Gino passou a ser o craque de todas as torcidas, o vingador, o herói da área.
O São Paulo foi crescendo em torno de seu artilheiro. Dino, o eterno companheiro, era o dono do meio campo, surgiu Canhoteiro, o maior ponta-esquerda que o mundo conheceu, depois veio Mestre Ziza e o Tricolor, em 1957, destruiu a parceirada, sem dó.
Ninguém podia com aquele timaço de Poy, De Sordi e Mauro, Dino, Victor e Riberto, Maurinho, Amauri, ele, Gino, a máquina mortífera, Zizinho e Canhoteiro.
Em memorável vitória, o São Paulo bateu o Corinthians, no Pacaembu, por 3 x 1, e sagrou-se Campeão Paulista daquele ano sagrado e antológico.
Claro, nos meados dos anos 50 Zizinho foi rei, Dino foi gênio, Mauro foi estrela impecável, mas Gino era a garra, era a esperança do gol, era a referência da área, era o verdadeiro pesadelo dos adversários!
Alfredo Ramos, um lateral-esquerdo espetacular chamado de “polvo” pela torcida tricolor e que brilhara no time até o final da década de 40 como reserva de Noronha, se transferira para o abominável rival, o Corinthians.
Em 1957, ano de glória são-paulina, Alfredo, o “polvo”, num lance infeliz, em jogo contra o próprio São Paulo, em um “Majestoso” perdido na noite dos tempos, quebrou a perna.
Atribuiu a torcida corintiana a Maurinho, nosso velocíssimo ponta-direita, a fratura do bom Alfredo. Um ambiente tenso e belicoso estabeleceu-se no ano de 1957 entre torcidas e jogadores de São Paulo e Corinthians.
Gino, nosso implacável artilheiro, entrevistado, defendeu Maurinho, atribuiu à má sorte a contusão do “polvo” e disse que futebol era para homem, que acidentes aconteciam.
Vou contar a vocês um episódio histórico, vou contar o que ninguém jamais contou com precisão.
Prestem atenção, iguais.
Alfredo Ramos morava na Rua Felipe Cardoso, no Bairro do Jardim da Saúde, em São Paulo.
Alfredo, o “polvo”, era simpático aos são-paulinos mas os corintianos não se conformavam com a contusão dele e com as declarações de Gino.
Ocorreu que o elenco corintiano foi visitar o convalescente Alfredo Ramos em sua casa, na referida Rua Felipe Cardoso, e, no mesmo dia, vários jogadores do São Paulo também tiveram a mesma idéia.
Os rivais se encontraram. Naquele tempo os craques amavam as camisas que vestiam, o futebol era amadorístico e maravilhoso!
Luizinho, o “Pequeno Polegar”, o maior ídolo corintiano, estava irado, só dava São Paulo, o Corinthians era freguês!
Ao avistar os atletas são-paulinos que saíam da casa de Alfredo, na Rua Felipe Cardoso, justamente no momento em que os corintianos chegavam, Luizinho não teve dúvidas, colheu do chão um tijolo e arremessou-o contra Gino atingindo-o na testa!
Foi uma guerra.
Até hoje os mais antigos moradores do bairro do Jardim da Saúde comentam esse acontecimento.
A decisão do Campeonato Paulista de 1957, entre São Paulo e Corinthians seria vivida depois, imaginem sob que clima!
Gino, nosso personagem, foi execrado pelo “bando de loucos” e idolatrado de vez pela torcida do “Mais Querido”. Não são raras as fotos da época que mostram o “tanque de guerra”, a “arma mortífera”, Gino Orlando, com a testa envolta em um grande esparadrapo, balançando as redes...
Gino foi, e é, um símbolo do São Paulo FC.
Naquele tempo se jogava menos, o número de jogos era infinitamente menor mas, mesmo assim, Gino é, até os dias que correm, o segundo maior artilheiro da história do clube.
Gino, o tanque, a arma mortífera, fez maravilhosos 237 gols com a sacrossanta camisa das três cores mais lindas do mundo, entre os anos de 1953/62, só perde para Serginho Chulapa.
Gino participou do jogo de inauguração do Morumbi, em 1960 e, sabem de uma particularidade? Foi de Gino a primeira bola que bateu na trave em nosso Templo sagrado. Aos 43 minutos do 2º tempo do jogo entre São Paulo x Sporting, Gino carimbou a trave pela vez primeira. A torcida lamentou, queria que o seu goleador-mor, a arma mortífera, o tanque de guerra, pesadelo dos adversários, fizesse o gol...
Gino era um valente em campo. Técnica? Nada de técnica, Gino era um craque destemido, era um briguento que queria a bola, ninguém, nenhum zagueiro, jamais o assustou; ao contrário, enfrentar Gino causava paúra nas defesas inimigas.
Fora de campo, Gino Orlando era um gentleman. Correto, Gino era um homem com H maiúsculo. Um dia Luizinho, o “pequeno polegar” corintiano, se desculpou publicamente com ele por tê-lo ferido no lamentável episódio do Jardim da Saúde. Gino recebeu as desculpas, abraçou o craque do alvinegro, perdoou; só os grandes espíritos sabem perdoar. O gesto de Gino foi magnífico.
Gino, depois de encerrar a gloriosa carreira como colecionador de gols de todos os tipos, permaneceu dedicado ao São Paulo FC, o São Paulo reconheceu nele uma alma tricolor. Gino foi ser o “Prefeito do Morumbi”, administrou com inigualável competência o estádio até o dia de sua morte, em 24/04/03, ninguém conhecia mais o “Cícero Pompeu de Toledo” do que o “seu Gino”.
Convivi com o Gino no Morumbi, na época em que ele administrava o estádio. Gino era doce, equilibrado, modesto, era educado, dele ouvi muitas histórias, pessoa humilde, atendia a todos com a mesma educação e simplicidade.
Nem parecia que ele fora um ídolo amado, maiúsculo, gigantesco, inesquecível, da história do Mais Querido.
Gino é um imortal astro da epopéia são-paulina, essa epopéia tão farta de exemplos edificantes. Gino foi um bravo, foi um lutador, foi uma legenda. Gino foi um devastador de defesas, foi um executor implacável de goleiros, foi um tormento para os adversários, um pesadelo, ele era letal na área.
Gino é para sempre, são-paulinos! Gino Orlando, artilheiro destemido, fantasma dos rivais, tanque de guerra na área, arma mortífera!
Camisa 9 inesquecível, uma lenda, Gino Orlando foi “o cara”. Nunca será olvidado.
Ave, Gino!
Paz, meus iguais.
Antonio Carlos Sandoval Catta-Preta é advogado e são-paulino.
Sigam catta_preta on twitter
antoniocattapreta@yahoo.com.br
domingo, 22 de agosto de 2010
segunda-feira, 19 de julho de 2010
Raí, o Terror do Morumbi por Dr. Catta Preta
Raí, o Terror do Morumbi.
Raí Souza Vieira de Oliveira
nasceu em Ribeirão Preto, assim como eu. Raí nasceu aos 15/05/65, eu nasci na
década anterior.
O São Paulo quis muito
contratar o irmão mais velho de Raí, Sócrates, mas, quiseram os fados e a
pasmaceira de alguns dirigentes do São Paulo nos anos 70, que Sócrates fosse
para o Corinthians e Sócrates marcou época no arqui-rival são-paulino.
Sócrates surgiu no Botafogo
de Ribeirão Preto, era alto, esguio, magro, tinha habilidade e classe, parecia
para os Oliveira que Sócrates, depois de uma performance brilhante na história
do Futebol e na antologia das genialidades, encerraria o ciclo do estrelato na
família . Uma família só tem um gênio, nunca se viu dois gênios surgirem na
mesma família. Eu nunca havia visto gênio filho de gênio, irmão de gênio igual
a irmão gênio.
Nunca vira, mas vi! A família Oliveira era
pródiga e inédita!
Estou para ver outra vez...
Na esteira do grande
Sócrates, no calcanhar do irmão, vinha um menino educado, atlético, determinado,
galã, que seria a reedição do mano mais velho, reedição melhorada, se é que se
podia melhorar aquele parâmetro extraordinário de excelência.
Se Sócrates era boêmio, não
usava o preparo físico, usava o calcanhar, se era frio, se pouco comemorava os
gols que fazia, se jogava no Corinthians enquanto o coração era santista, Raí
apareceu para jogar no Botafogo anunciando que era são-paulino, era todo
atleta, se preparava, tinha um perfil absolutamente contrário.
O São Paulo, depois de
perder Sócrates iniciando a carreira de astro, por inabilidade, não podia
perder Raí. E não o perdeu. Custasse o que custasse, aquele menino, irmão do
sol, quando apareceu brilhando em Ribeirão Preto fazendo gols, iria ser nosso!
O São Paulo apostou em Raí.
Ele era uma criança, ingênuo, um jogador pesado, alto, meio desengonçado, mas
fazia gols e era irmão do Sócrates!
A aposta, no começo, parecia
perdida. A Raí, o grandão, faltava habilidade, irmão de craque era perneta,
diziam as más línguas!
A torcida do Corinthians
duvidava, o mundo duvidava. Poderia aquele menino, irmão do Sócrates, virar
alguma coisa?
Contar-lhes-ei, iguais.
Raí fora emprestado pelo
Botafogo, de Ribeirão Preto, à Ponte Preta. No Botafogo fizera gols, parecia
impetuoso, na Ponte então, desandou a marcar, chamou a atenção. Então o São
Paulo, como gato escaldado com medo de água fria, por causa da sempre lembrada
perda de Sócrates, foi atrás dele e o trouxe para o Morumbi. Deixar Raí ir para
o Corinthians, como o célebre irmão, seria o fim.
Se querem que eu revele a
verdade, dir-lhes-ei que nem mesmo eu acreditei em Raí quando ele chegou.
Ombrear-se a Sócrates?
A voz do povo é implacável,
ombrear-se a Sócrates nunca, Raí era uma farsa!
Então, o menino foi se
adaptando.
No princípio colocaram Raí
para jogar como centro-avante. Alto, vigoroso, deveria afrontar os zagueiros,
iria chocar-se com eles.
A estréia de Raí foi no
Olímpico, em Porto Alegre, em outubro de 1987, contra o Grêmio, o São Paulo foi
derrotado por 1 x 0.
Cilinho era o técnico do
Mais Querido, Cilinho, esse feiticeiro da bola, viu no menino qualidades,
apesar da derrota.
Fui ver Raí no Morumbi, pela
primeira vez, contra o Santos, em clássico pelo campeonato Brasileiro de 1987,
um jogo depois da estréia.
O São Paulo ainda tinha
Silas, Muller, Pita, o time era hábil na frente.
Raí, meio tímido e sem
ginga, tinha consciência, não errava passes, embora de costas para o gol, me
chamou a atenção. O São Paulo venceu por 3 x 1 e pensei comigo mesmo, será esse
menino um predestinado como o irmão?
Era.
Raí era mais do que um
predestinado, Raí nascera para brilhar intensamente, era uma personalidade do
mundo da bola, era um gênio, era um craque inesquecível que desabrochava!
Em seu segundo jogo no
Morumbi, contra o Goiás, na semana seguinte, Raí faria seu 1º gol e nunca mais
deixaria de cintilar.
Raí caiu rapidamente nas
graças da torcida Tricolor.
Tinha porte, era alto,
decidido, Raí ia na bola com força, com raça, dividia todos os lances, parecia
um anjo da guarda da camisa das três cores. A torcida logo se apaixonou por
ele.
Claro, houve aqueles que
disseram que o menino destoava dos “Menudos”, já em sua última fase; os
“Menudos”, nome dado ao time são-paulino da metade dos anos 80, os “Menudos”
eram muito ágeis e velozes, Raí era mais lento, mais cerebral.
Mas seria o fim da era dos
“Menudos” e o começo da era Raí.
Quando o sonho dos “Menudos”
acabou, começou o império de Raí; Raí aos poucos foi se transformando no
símbolo do São Paulo, o porte de Raí anunciava por si só uma era de conquistas,
aquele jogador, com a sua postura ímpar, insinuava que o São Paulo ganharia o mundo!
Raí era articulado, educado,
fino, um gentleman. Raí era um esportista. Entrevistar Raí, para a imprensa era
uma dádiva.
Ele, perdendo ou ganhando,
se mostrava um cavalheiro, ele foi, a pouco e pouco, se transformando na maior
referência do futebol brasileiro, aquele nobre jogador parecia que jogava de
smoking!
Raí foi crescendo, foi se
transformando num gigante. Ao contrário do irmão, Sócrates, o anti-atleta, a
quem a bola amava de paixão, Raí foi dando exemplos de dedicação, de entrega à
profissão, de sacerdócio em nome da bola. Sócrates era o boêmio, o poeta, Raí
era o devotado, o cumpridor.
Claro, dona bola, que não
resistira ao boêmio, também não resistiu ao devoto. A bola é mulher. As mulheres
amam tanto os poetas e os boêmios loucos quanto os dedicados fiéis e os
disciplinados amantes.
Raí fez da profissão de
atleta devoção. Então, Raí e a bola, selaram uma união que a história marcou e
que muitos vão recontar, ao longo dos séculos.
Raí oscilou, foi para a
reserva entre 1987 e 1988, em 1989 ora era atacante, ora era meia, mas todos
confiavam nele. Raí encarnava, com sobriedade, o jeito do São Paulo…
Foi nos anos 90 que a bola
rendeu-se de uma vez por todas.
Apaixonada pela dedicação de
Raí a bola se entregou a ele e ele se tornou de vez a referência do São Paulo
moderno.
Se Leônidas nos transformou,
nos anos 40, num time grande e se o Morumbi nos deu a afirmação como patrimônio
para que nos mantivéssemos vivos, Raí nos deu o perfil dos torcedores que somos
nos dias que correm; elegantes, vencedores, inteligentes, sóbrios,
diferenciados.
Raí foi a personificação do
cavalheirismo. Não vi em campo ninguém mais elegante, ninguém mais educado,
ninguém mais sereno.
Naqueles anos 90, quando
tive a oportunidade de ser advogado de um jogador do São Paulo, talvez o
primeiro advogado de um jogador de futebol para tratar de seus assuntos com o
clube, senti a influência que, nos demais do elenco são-paulino, exercia a
multifária personalidade de Raí.
Raí era o paradigma, Raí era
o líder, Raí era o elo entre o técnico e o elenco, entre a diretoria e os
atletas.
E Raí amadureceu como
jogador. Se o irmão, Sócrates, havia sido gênio, Raí foi melhor! Raí não foi
gênio, mas para o futebol, Raí foi melhor do que ter sido gênio!
Raí operou prodígios com a
sacrossanta camisa das três cores!
Raí foi um colecionador de
títulos: 89, 91, 92, 98 e 2000 foi Campeão Paulista. Em 91 foi Campeão
Brasileiro.
Em 1992/93 foi Bi-Campeão da
América e foi Campeão do Mundo pelo São Paulo, em 92!
Nenhum são-paulino poderá se
esquecer de Raí; Raí é uma lenda, seu nome correrá, de pai para filho, até o
fim dos tempos.
Eu estava no Morumbi em
certo dia santo, em determinada tarde perdida nas brumas do tempo, num
“Majestoso” poético de 1991, eu e mais 100.000 pessoas, quando Raí estremeceu o
Morumbi, fazendo 3 gols no Corinthians do atônito goleiro Ronaldo,
proporcionando às hostes tricolores uma das maiores vitórias contra o rival,
uma vitória clássica, um show que a nossa memória registrará para todo o
sempre.
Eu vi Raí comandar o São
Paulo em campo, eu vi o jeito de Raí, Raí foi a cara do São Paulo que no início
dos anos 90 foi transformado em frenesi pelo povo, eu vi Raí fazer o São Paulo
popularizar-se. Os meninos, as meninas, as moças e os moços, todos se fizeram
são-paulinos na década de 90, acima de tudo, por causa de Raí.
Eu vi o São Paulo fazer o
Palmeiras cair de quatro, à mercê de Raí, vi o Santos naufragar de 6, sob a
batuta de Raí, vi o São Paulo, pela primeira vez, conquistar a Libertadores com
música no ar e o maestro da sinfonia da bola era Raí, já fixado como ponta de
lança, vindo de trás com o ímpeto de um corcel bravio, com a força
incontrolável de um trator. Raí chutava de longe, não temia chutar a gol,
cabeceava muito bem, era alto, aparecia de surpresa na área e subia com vontade
e estilo. O craque fez muitos gols de cabeça e inúmeros gols arremessando a
bola de longe, como se fosse uma flecha certeira. Raí cobrava pênaltis e
faltas, era completo, não? Foram duas Libertadores,
sob a mística dos pés de Raí, e foram dois mundiais, sim dois MUNDIAIS,
1992/93, que Raí, com sua personalidade e com a exuberância de seu futebol nos
deu!
No inédito Mundial de 1992,
contra o Barcelona, no Estádio Nacional de Tóquio, Raí tornou-se o maior
jogador de futebol do mundo.
O São Paulo enfrentou o
fantasma europeu, o Barcelona, como sempre, o Barcelona parecia imbatível.
Raí comandou o São Paulo,
que venceu de virada o invencível Barcelona, com personalidade única.
Raí, depois de liderar o
time em campo com jeito de imperador, depois de dar show o tempo todo, com
passes perfeitos e frieza incomodativa, empatou o jogo com um gol de peito, com
um gol de coração, mergulhando na pequena área, como se estivesse numa piscina.
E a poucos minutos do fim, cobrando falta, Raí deu um beijo na bola, colocou a
bola no ângulo de Zubizarreta, o goleiro de nome longo, que viu a bola de
longe, que flerta e tem pesadelos com aquela bola, até hoje...
Em 1993, de novo Raí deixou
o Brasil aturdido. Comandou o São Paulo levando o Tricolor ao bi-campeonato da
América, fazendo tremer os adversários caseiros e multiplicando nossa torcida
por três.
O São Paulo já não era mais
de Leônidas, de Sastre, de Bauer, de Dias, de Gerson, de Pedro Rocha, o São
Paulo era também de Raí e a torcida reverenciava o ídolo, sentenciando a
escolha do ídolo maior em coro, com um cântico que soava altissonante nas
arquibancadas: “Raí, Raí, o terror do Morumbi”!
O que ganhara o gênio
Sócrates, o irmão de Raí? Um mero campeonato paulista. Raí, no entanto, ganhava
tudo; Sócrates, diante da história, passou a ser só o irmão de Raí. O São Paulo
de Raí popularizava-se, renascia.
Não vou entrar em minúcias
quanto a Copas do Mundo. Ambos, Sócrates e Raí, jogaram também Copas do Mundo,
claro. Jogador histórico é o que disputa Copa do Mundo.
Em meados de 1993, depois de
conquistar a América pela segunda vez, Raí foi embora. Despediu-se no templo
sagrado do Morumbi com uma atuação de gala, numa noite de magia em que o São
Paulo, pelo Campeonato Paulista, fez deliciosos 6 x 2 no Santos. Ele fez o
último gol, o sexto, um gol antológico, por cobertura, inesquecível, eu vi, eu
estava lá, por mercê de Deus.
Raí brilhou intensamente no
futebol francês, onde foi jogar no Paris Saint Germain. Com sua nobreza, com
sua educação, com sua classe, Raí parecia que tinha nascido em Paris. O Paris
Saint Germain não ganhava havia muitos anos, Raí levou o time ao título, foi
uma festa secular, o povo bebeu champagne sob o Arco do Triunfo, dizem que
Victor Hugo sorriu em seu caixão dourado.
Raí virou celebridade na
Europa. Todos se curvaram diante de sua nobreza. Raí tinha um jeito de barão,
Paris e as belas parisienses o seguraram nos palácios de Saint Germain de Prés
até 1998, quando o coração fê-lo dobrar a página européia para disputar a
última batalha em campos brasileiros, com a camisa que o consagrara, a
sacrossanta camisa das três cores.
Estavam em jogo as finais do
Campeonato Paulista de 1.998.
São Paulo e Corinthians
iriam fazer uma “melhor de três” para decidir quem seria o campeão.
Raí, diante de 90.000
pessoas, repatriado pelo São Paulo, deu aos são-paulinos uma alegria suprema.
Os corintianos o julgavam
acabado, diziam-se campeões. Mas Raí destruiu o Corinthians, voltou ao Morumbi
como se estivesse sendo chamado para uma guerra, parecia Napoleão, comandando o
exército Tricolor.
Foi dele o primeiro gol, ele
participou do segundo, Denílson também brilhou, o São Paulo fez 3x1 e sagrou-se
campeão. A cidade nunca mais vai ser tão são-paulina como foi naquele 10 de
maio de 1998.
Raí, nos ombros do povo,
aquele Adônis para as mulheres, aquele anjo vingador para os homens, encerrava
a carreira, vestindo o manto maravilhoso que foi de Ruy, de Bauer, de Noronha,
de Rocha e de tantos outros. Era o fim de uma lenda dentro das quatro linhas.
Ora, o que mais dizer sobre
esse craque, iguais?
Raí foi um jogador de todos
os tempos.
Volúpia, arranque, força,
liderança, inteligência.
Raí era um moderador do São
Paulo. Se Raí jogasse bem o São Paulo ganhava, se Raí jogasse mal o São Paulo
perdia.
Raí quase sempre jogava bem.
Então o São Paulo sempre ganhava!
Raí iniciou para os
são-paulinos uma era de grande popularização nos tempos modernos. A torcida
feminina do São Paulo cresceu assustadoramente. Ver Raí, para as mulheres, era
tudo.
Raí, com seu comportamento
inigualável, evocou, nos tempos modernos, o São Paulo mais antigo, o São Paulo
da cepa, o São Paulo oriundo do Paulistano, o São Paulo dos nobres. Raí é como
Fried, é como Leônidas, é uma marca do Mais Querido.
Eis um nome do qual jamais
me esquecerei. Tenho certeza de que os adversários também jamais se esquecerão
de ti, Raí, “O terror do Morumbi.
A torcida do São Paulo FC,
claro, jamais te olvidará!
Ave, Raí e Paz, meus iguais.
Antonio Carlos Sandoval
Catta-Preta é advogado e são-paulino.
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Antonio Carlos Sandoval
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quarta-feira, 14 de julho de 2010
São Paulo pode abrir mão de abertura do Mundial 2014 para não gastar dinheiro público com estádio
Por Luciano Borges
O Governo do Estado de São Paulo não pretende gastar dinheiro público para construir, ou mesmo ajudar na construção, de um estádio apto a receber a abertura da Copa do Mundo de 2014. Esta é também disposição da Prefeitura paulistana.
No encontro que deverão manter, na semana que vem, com Ricardo Teixeira, o governador Alberto Goldman e o prefeito Gilberto Kassab vão – mais uma vez – indicar o Morumbi como o estádio mais viável da cidade para brigar jogo da Copa do Mundo.
Detalhe: ser sede da abertura do Mundial no Brasil deixou de ser o objeto do desejo do comitê paulista. “A abertura não é um bom negócio. É dispendioso e só traz dinheiro para a FIFA”, disse Caio Luiz de Carvalho, coordenador do Comitê Paulista para a Copa de 2014.
Na verdade, a disposição do governador Goldman é mais confrontadora. O presidente da CBF corre o risco de ouvir, no encontro, que São Paulo não vai gastar R$ 1,5 bilhão na construção de um novo estádio só para abrir o Mundial. E, se FIFA e a confederação fazem tanta questão, que paguem por isso.
São Paulo quer trazer jogos da Copa. Pode ser na primeira fase, nas oitavas de final e até quartas de final. Mas, até o momento, a cidade pode oferecer o estádio do Morumbi (do São Paulo) e a nova Arena Palestra Itália (do Palmeiras).
Se Corinthians ou outra equipe construir sua praça de esportes com capacidade e condições que atendam às exigências da FIFA, este projeto passaria a fazer parte do leque de opções oferecidas pela cidade.
Como Kassab afirmou em Joanesburgo, África do Sul, na semana passada, a cidade não vai construir a arena multiuso de Pirituba a tempo da Copa do Mundo. “O projeto é antigo e não é para a Copa”, disse antes de, mais uma vez, acenar com o retorno do Morumbi. Ou seja, São Paulo não tem nenhum projeto em andamento para estádio capaz de ser escolhido para a abertura em 2014.
Nas reuniões realizadas recentemente pelo Comitê Paulista, a avaliação é, resumidamente, esta: não dá para se fazer tudo o que a FIFA quer; o custo de um novo estádio torna qualquer projeto inviável; e São Paulo terá hotéis lotados com ou sem jogos da Copa em seu território.
Sem falar que a mudança de presidente da República pode adiar várias decisões. O cálculo é de que até maio de 2011, o dinheiro público que o governo federal vai destinar às obras ainda não terá saído. Porque sucessor de Luis Inácio Lula da Silva assumirá em janeiro e terá, nas contas do Comitê, dois meses para acertar quem fará o quê na nova gestão.
O Governo do Estado de São Paulo não pretende gastar dinheiro público para construir, ou mesmo ajudar na construção, de um estádio apto a receber a abertura da Copa do Mundo de 2014. Esta é também disposição da Prefeitura paulistana.
No encontro que deverão manter, na semana que vem, com Ricardo Teixeira, o governador Alberto Goldman e o prefeito Gilberto Kassab vão – mais uma vez – indicar o Morumbi como o estádio mais viável da cidade para brigar jogo da Copa do Mundo.
Detalhe: ser sede da abertura do Mundial no Brasil deixou de ser o objeto do desejo do comitê paulista. “A abertura não é um bom negócio. É dispendioso e só traz dinheiro para a FIFA”, disse Caio Luiz de Carvalho, coordenador do Comitê Paulista para a Copa de 2014.
Na verdade, a disposição do governador Goldman é mais confrontadora. O presidente da CBF corre o risco de ouvir, no encontro, que São Paulo não vai gastar R$ 1,5 bilhão na construção de um novo estádio só para abrir o Mundial. E, se FIFA e a confederação fazem tanta questão, que paguem por isso.
São Paulo quer trazer jogos da Copa. Pode ser na primeira fase, nas oitavas de final e até quartas de final. Mas, até o momento, a cidade pode oferecer o estádio do Morumbi (do São Paulo) e a nova Arena Palestra Itália (do Palmeiras).
Se Corinthians ou outra equipe construir sua praça de esportes com capacidade e condições que atendam às exigências da FIFA, este projeto passaria a fazer parte do leque de opções oferecidas pela cidade.
Como Kassab afirmou em Joanesburgo, África do Sul, na semana passada, a cidade não vai construir a arena multiuso de Pirituba a tempo da Copa do Mundo. “O projeto é antigo e não é para a Copa”, disse antes de, mais uma vez, acenar com o retorno do Morumbi. Ou seja, São Paulo não tem nenhum projeto em andamento para estádio capaz de ser escolhido para a abertura em 2014.
Nas reuniões realizadas recentemente pelo Comitê Paulista, a avaliação é, resumidamente, esta: não dá para se fazer tudo o que a FIFA quer; o custo de um novo estádio torna qualquer projeto inviável; e São Paulo terá hotéis lotados com ou sem jogos da Copa em seu território.
Sem falar que a mudança de presidente da República pode adiar várias decisões. O cálculo é de que até maio de 2011, o dinheiro público que o governo federal vai destinar às obras ainda não terá saído. Porque sucessor de Luis Inácio Lula da Silva assumirá em janeiro e terá, nas contas do Comitê, dois meses para acertar quem fará o quê na nova gestão.
sábado, 19 de junho de 2010
As verdades por trás das muitas mentiras que a FIFA conta
por Fernando A Fleury, blogueiro do ESPN.com.br
Está semana na coluna Mundo, da rádio bandeirantes, o jornalista Demétrio Magnoli apresentou uma analise a respeito de um estudo realizado para avaliar os impactos dos grandes eventos esportivos no país sede. Neste estudo foram analisados as Olimpíadas de Atenas e de Sidney, a Copa do Mundo do Japão e de Alemanha e, também, a Eurocopa de Portugal. A idéia central do trabalho era analisar três fatores centrais, utilizado por aqueles que defendem a realização dos eventos nos moldes atuais: forte impulso ao crescimento do PIB do país sede, o aumento continuado do turismo e se os lucros justificam os investimentos, ou seja, existe a tal recompensa financeira para o país sede.
Os resultados apresentados são uma ducha de água fria nas entidades que “comandam” estes eventos.
Na primeira questão, a respeito do PIB nacional, fica evidente que não existe o tal impulso. A Copa do Japão não impediu o país de entrar em recessão e na Alemanha o impacto foi tão ínfimo que foi desprezado pela analise.
Na questão relacionada ao turismo o estudo revela mais uma farsa. É verdade que o turismo aumento no ano do evento, mas ele não se sustenta nos anos seguintes. Mesmo na Austrália, que apostou muito no crescimento do turismo no país e investiu para isso, o retorno ficou muito aquém do esperado.
Por fim, o ponto principal. Os custos de tais eventos compensam, pois as recompensas financeiras são enormes?
Mais uma mentira. Fica comprovado nos estudos que os custos finais são sempre muito superiores aos custos iniciais que norteiam as analises de viabilidade financeira. Os exemplos são evidentes: Nas Olimpíadas de Atenas os custos estimados eram de US$ 1,5 bilhões e acabou custando US$ 15 bilhões. Já na Copa da África os custos iniciais foram orçados em US$ 300 milhões e a conta final ficou acima dos US$ 4 bilhões fora os investimentos em infra-estrutura. As contas finais apresentam números na ordem dos US$ 8 bilhões. Em compensação o PIB do país ficará abaixo dos US$ 3 bilhões de dólares demonstrando um claro prejuízo ao país sede.
Então a Copa da prejuízo?
Para o país anfitrião com certeza, para a FIFA não. Para o país sede as contas são ainda piores. A entidade máxima do futebol obriga o país que recebe o evento a conceder inúmeros incentivos fiscais que beneficiam a entidade. Na África, assim como no Brasil, a FIFA recebeu garantias por escrito de que pagará impostos sobre a comercialização de produtos, direitos de transmissão e quase todas as formas de receita ligadas à Copa.
Assim enquanto a África, que já sofre com inúmeros problemas sociais, terá que arcar com as dividas deixadas pela passagem da Copa em seu solo, a FIFA e as Confederações ligadas a ela engordam cada vez mais seus cofres sem se preocupar com mais nada.
E o tão falado legado?
O legado deixado pelos grandes eventos esportivos está totalmente relacionado à capacidade política do país. O verdadeiro legado são as obras de infra-estrutura que tais eventos podem agilizar, mas que de qualquer maneira deveriam ser realizadas com ou sem o evento.
Um ponto interessante do estudo apresentado diz respeito a uma das questões mais faladas para a Copa no Brasil: os estádios.
Com exceção da Alemanha, que possuí um campeonato nacional lucrativo (o mais lucrativo da Europa, diga-se de passagem) em locais como a África e até mesmo Portugal, os estádios tendem a virar verdadeiras ruínas pós modernas. E muitos dirão: Ah.. O Brasil tem um grande campeonato nacional! Verdade. Mas concentrado no eixo sul-sudeste do país. Arenas serão construídas em 12 cidades, nos mais diferentes cantos e muitas delas tenderão a serem classificadas como verdadeiras ruínas ou os chamados elefantes brancos. Todas as cidades sedes deveriam apresentar publicamente planos, não apenas de viabilidade financeira, mas de utilização do local pós evento para evitarmos que o Estado tenha que intervir no processo de manutenção. Manter uma arena é impossível pensando apenas em futebol ou numa Copa do Mundo.
Em suma, do ponto de vista econômico os grandes eventos compensam para poucos e deixam como grande legado dividas enormes que serão pagas pela população durante mais de 30 anos.
O Brasil e as cidades sedes da próxima Copa são muito maiores que qualquer evento e é bom todos nós abrirmos os olhos para não sermos enganados. Como o próprio estudo apontou, o único ganhou real para o país, com estes grandes eventos, é o chamado efeito econômico da felicidade. A sensação de felicidade nacional, de propósito em direção de um objetivo comum, criando uma unidade nacional capaz de causar impactos sociais e econômicos, desde que bem aproveitada pela classe política do país, para o bem do país. Mas por enquanto só quem está sabendo usar isso, no Brasil, é a CBF, que está transformando tudo em uma decisão fomentada por paixão clubísticas e deixando de lado as verdadeiras necessidades do país e, principalmente, das cidades que irão sediar a farra estrangeira.
Está semana na coluna Mundo, da rádio bandeirantes, o jornalista Demétrio Magnoli apresentou uma analise a respeito de um estudo realizado para avaliar os impactos dos grandes eventos esportivos no país sede. Neste estudo foram analisados as Olimpíadas de Atenas e de Sidney, a Copa do Mundo do Japão e de Alemanha e, também, a Eurocopa de Portugal. A idéia central do trabalho era analisar três fatores centrais, utilizado por aqueles que defendem a realização dos eventos nos moldes atuais: forte impulso ao crescimento do PIB do país sede, o aumento continuado do turismo e se os lucros justificam os investimentos, ou seja, existe a tal recompensa financeira para o país sede.
Os resultados apresentados são uma ducha de água fria nas entidades que “comandam” estes eventos.
Na primeira questão, a respeito do PIB nacional, fica evidente que não existe o tal impulso. A Copa do Japão não impediu o país de entrar em recessão e na Alemanha o impacto foi tão ínfimo que foi desprezado pela analise.
Na questão relacionada ao turismo o estudo revela mais uma farsa. É verdade que o turismo aumento no ano do evento, mas ele não se sustenta nos anos seguintes. Mesmo na Austrália, que apostou muito no crescimento do turismo no país e investiu para isso, o retorno ficou muito aquém do esperado.
Por fim, o ponto principal. Os custos de tais eventos compensam, pois as recompensas financeiras são enormes?
Mais uma mentira. Fica comprovado nos estudos que os custos finais são sempre muito superiores aos custos iniciais que norteiam as analises de viabilidade financeira. Os exemplos são evidentes: Nas Olimpíadas de Atenas os custos estimados eram de US$ 1,5 bilhões e acabou custando US$ 15 bilhões. Já na Copa da África os custos iniciais foram orçados em US$ 300 milhões e a conta final ficou acima dos US$ 4 bilhões fora os investimentos em infra-estrutura. As contas finais apresentam números na ordem dos US$ 8 bilhões. Em compensação o PIB do país ficará abaixo dos US$ 3 bilhões de dólares demonstrando um claro prejuízo ao país sede.
Então a Copa da prejuízo?
Para o país anfitrião com certeza, para a FIFA não. Para o país sede as contas são ainda piores. A entidade máxima do futebol obriga o país que recebe o evento a conceder inúmeros incentivos fiscais que beneficiam a entidade. Na África, assim como no Brasil, a FIFA recebeu garantias por escrito de que pagará impostos sobre a comercialização de produtos, direitos de transmissão e quase todas as formas de receita ligadas à Copa.
Assim enquanto a África, que já sofre com inúmeros problemas sociais, terá que arcar com as dividas deixadas pela passagem da Copa em seu solo, a FIFA e as Confederações ligadas a ela engordam cada vez mais seus cofres sem se preocupar com mais nada.
E o tão falado legado?
O legado deixado pelos grandes eventos esportivos está totalmente relacionado à capacidade política do país. O verdadeiro legado são as obras de infra-estrutura que tais eventos podem agilizar, mas que de qualquer maneira deveriam ser realizadas com ou sem o evento.
Um ponto interessante do estudo apresentado diz respeito a uma das questões mais faladas para a Copa no Brasil: os estádios.
Com exceção da Alemanha, que possuí um campeonato nacional lucrativo (o mais lucrativo da Europa, diga-se de passagem) em locais como a África e até mesmo Portugal, os estádios tendem a virar verdadeiras ruínas pós modernas. E muitos dirão: Ah.. O Brasil tem um grande campeonato nacional! Verdade. Mas concentrado no eixo sul-sudeste do país. Arenas serão construídas em 12 cidades, nos mais diferentes cantos e muitas delas tenderão a serem classificadas como verdadeiras ruínas ou os chamados elefantes brancos. Todas as cidades sedes deveriam apresentar publicamente planos, não apenas de viabilidade financeira, mas de utilização do local pós evento para evitarmos que o Estado tenha que intervir no processo de manutenção. Manter uma arena é impossível pensando apenas em futebol ou numa Copa do Mundo.
Em suma, do ponto de vista econômico os grandes eventos compensam para poucos e deixam como grande legado dividas enormes que serão pagas pela população durante mais de 30 anos.
O Brasil e as cidades sedes da próxima Copa são muito maiores que qualquer evento e é bom todos nós abrirmos os olhos para não sermos enganados. Como o próprio estudo apontou, o único ganhou real para o país, com estes grandes eventos, é o chamado efeito econômico da felicidade. A sensação de felicidade nacional, de propósito em direção de um objetivo comum, criando uma unidade nacional capaz de causar impactos sociais e econômicos, desde que bem aproveitada pela classe política do país, para o bem do país. Mas por enquanto só quem está sabendo usar isso, no Brasil, é a CBF, que está transformando tudo em uma decisão fomentada por paixão clubísticas e deixando de lado as verdadeiras necessidades do país e, principalmente, das cidades que irão sediar a farra estrangeira.
quinta-feira, 13 de maio de 2010
Fifa aprova Morumbi na Copa-2014 e espera plano financeiro do São Paulo
O Comitê Organizador Local da Copa-2014 enviou nesta quarta-feira um documento ao comitê paulista informando que o projeto do Morumbi foi aprovado pela Fifa. Segundo o texto, assinado pelo presidente do COL e da CBF, Ricardo Teixeira, o "projeto está em consonância com as exigências da entidade e apto para receber as semifinais".
De acordo com o jornal Folha de S. Paulo, o São Paulo terá agora de provar à Fifa que tem condições financeiras de realizar as obras previstas no projeto. O COL informou que os paulistas têm 30 dias para apresentar as garantias. De qualquer forma, foi a maior vitória obtida pelo Morumbi até agora. Um mês atrás, Teixeira disse que as mudanças no projeto eram "paliativas".
Após o envio da nova versão do Morumbi em 15 de abril e a vistoria da Fifa na semana passada, o dirigente parece ter mudado de ideia. O documento encerra a especulação de que o estádio são-paulino seria excluído da Copa do Mundo de 2014. No documento, o COL informa que a Fifa pede alguns ajustes no projeto e que ainda poderá fazer novas exigências.
O custo estimado para ajustar o Morumbi é de R$ 400 milhões. Um dos problemas tem sido a dificuldade dos estádios particulares da Copa-14 em acertar o empréstimo com o BNDES. Os clubes querem tomar o dinheiro disponibilizado pelo banco estatal, mas exigem condições melhores para pagar.
O São Paulo diz que terá dinheiro para as obras. "Não seríamos irresponsáveis de fazer um projeto se não pudéssemos bancá-lo", afirma o diretor de marketing Adalberto Baptista. O dirigente diz que o Morumbi está lançando 16 novos camarotes e que as receitas com shows no estádio ficaram 80% acima do que o clube imaginava para este ano.
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