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sexta-feira, 17 de junho de 2011

Quando a América foi, pela primeira vez, Tricolor! Eu estava lá !

Há 19 anos, o São Paulo FC conquistava a Copa Libertadores da América pela primeira vez

Se você, são-paulino, tem menos de 25 anos, talvez os detalhes lhe escapem à memória. Contudo, certamente jamais esqueceu ou esquecerá a emoção vivida. Se por acaso tem mais de 25 anos, sem dúvida alguma tem em mente um jogo divisor de águas. De sua própria vida, como da vida de seu clube. Um jogo ocorrido há exatos 19 anos.

Em 17 de junho de 1992, o Estádio Cícero Pompeu de Toledo presenciou a maior explosão de alegria da história do local. Mais de 115 mil pessoas assistiram ao épico festejo da conquista da Taça Libertadores da América de 1992. Milhares das quais, inclusive, proporcionaram a lendária invasão (ordeira e civilizada - bom ressaltar) que se viu por esse gramado.

Carregando os ídolos nos ombros, do campo à pista olímpica, despindo-os de problemas superados e percalços ultrapassados durante toda a competição (e claro, também de suas camisas, grandes relíquias), os torcedores celebravam aquele feito que, se não inédito, ressuscitou o interesse e o futebol brasileiro à conquista da América.

Caminhos da América
O sonho, que se iniciou ano antes com o tricampeonato nacional, quase se tornou pesadelo com a inusitada derrota por 3 a 0 para o Criciúma, na primeira rodada.  O comandante Telê Santana não estimava o torneio, por décadas regido por violência e doping, e escalou um "misto".

Porém, após muita pressão, a Conmebol adotou o controle de dopagem, ao menos em jogos do São Paulo FC (mesmo que o Tricolor tivesse que pagar os custos do procedimento). Após esses desafios políticos e internos, a altura dos Andes seria o próximo empecilho, superado graças ao desenvolvimento técnico e científico da comissão técnica, chefiada nesse departamento por Moracy Sant'Anna.

Os adversários foram caindo um a um. San José, Bolivar, Criciúma (o troco), Nacional de Montevidéu, Criciúma novamente (quem mandou provocar) e, depois do Barcelona de Guayaquil, a grande final contra o time argentino comandado por 'El Loco' Bielsa, o Newell's Old Boys.

Um dia para sempre

Na primeira partida da decisão, derrota pelo placar mínimo. Confiança plena no jogo de volta, em um Morumbi fervilhante. Impiedosa, a equipe Tricolor, capitaneada por Raí, não perdoou os argentinos que, todavia resistiram, salvando até mesmo um lance em cima da linha.

Mesmo com todo o sufoco imposto, a equipe portenha somente vacilou aos 22 minutos do segundo tempo, quando Gamboa cometeu pênalti em Macedo. Raí converteu a cobrança. Mesmo placar do jogo de ida, 1x0. Decisão por pênaltis, dramática claro, mas já bem conhecida por todo são-paulino.

A série de cobranças foi desigual. Os argentinos contaram somente com seus jogadores na disputa, já os são-paulinos com mais duas pessoas. Valdir de Moraes, preparador de goleiros, havia estudado o modo de cobrar dos adversários, e Alexandre, o goleiro reserva, repassou as informações à Zetti durante as penalidades.

Berizzo perdeu. Raí marcou novamente. Zamora venceu Zetti, mas Ivan também guardou. Llop empatou, e o placar permaneceu assim, pois Ronaldão errou. Então Mendoza retribuiu o favor e bateu por cima. Cafu pôs o São Paulo na frente, 3x2.

A última cobrança da série normal seria de Gamboa. Zetti foi magistral. Saltou para a esquerda e, de mão trocada, espalmou a bola para fora. Estava decidido. O São Paulo era, pela primeira vez, Campeão da Copa Libertadores da América!

O resto da história todos conhecem, o gramado do Morumbi nunca foi tão vermelho, branco e preto!

Ficha da partida
17.06.1992 São Paulo (Brasil) Estádio Cícero Pompeu de Toledo, Morumbi
SÃO PAULO Futebol Clube 1 x 0 Club Atlético NEWELL'S OLD BOYS
Nos pênaltis: 3 x 2 para o São Paulo

SPFC: Zetti, Cafu, Antônio Carlos, Ronaldão e Ivan; Adílson, Pintado e Raí (capitão); Muller (Macedo), Palhinha e Elivélton. Técnico: Telê Santana.
Gol: Raí (pênalti), 22'/2

CANOB: Scoponi, Saldaña, Gamboa (capitão), Pocchettino e Berizzo; Llop, Berti e Martino (Domizzi); Zamora, Lunari e Mendoza. Técnico: Marcelo Bielsa.

Árbitro: José Joaquín Torres Cadenas (Colômbia)
Assistente 1: Jorge Zuluaga (Colômbia)
Assistente 2: John Redón (Colômbia)
Renda: Cr$ 1.072.490.000,00
Público: 105.185 pagantes, mais de 115 presentes

Pênaltis:
Berizzo - perdeu (trave) / Raí - gol
Zamora - gol / Ivan - gol
Llop - gol / Ronaldão - perdeu
Mendoza - perdeu (por cima) / Cafu - gol
Gamboa - perdeu (Zetti) / Pintado (não precisou cobrar)

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Lugano: Estrela Celeste. Sangue Tricolor por Fê Santana

Diego Alfredo Lugano Moreno nasceu dia 2 de novembro de 1980, em Canelones (Uruguai).

Começou sua história no futebol quando era apenas um menino. Começou no Três Esquinas com apenas 4 anos de idade e aos 14 foi para o Club Libertad de Canelones. Jogou também no Nacional de Montevidéu e por lá ficou até 2001. Passou pelo Plaza Colonia e em 2003 foi contratado pelo São Paulo Futebol Clube.

Com o codinome “zagueiro do Presidente”, Lugano chegou sob forte desconfiança. Afinal, ninguém o conhecia aqui no Brasil. Marcelo Portugal Gouvêa, nosso saudoso presidente, foi ousado e o contratou por 200 mil dólares. Ele era a aposta para endireitar a defesa Tricolor.

Durante a apresentação do jogador, um fotógrafo disse para Lugano:

“Dê um sorriso, Lugano. Mostra que está contente”
Logo ele respondeu:
”Não vejo motivo nenhum para sorrir sem razão. Vim aqui para vencer e só vou dar risada quando estiver comemorando algum título.”

Este fato está descrito no maravilhoso livro “Tricolor Celeste”, de Luis Augusto Simon.

O uruguaio chegou e não agradou o técnico Oswaldo de Oliveira. Nem para o banco ele era relacionado. Quando Oswaldo foi demitido, más línguas disseram que era culpa de Lugano. Que o técnico tinha sido demitido por que não escalava o “Zagueiro do Presidente”. Essa afirmação deixou Lugano muito chateado (e com motivo).

Ele sabia que precisava se esforçar para convencer. Sabia que era capaz e tinha noção de que precisava se dedicar bastante.

E assim o fez.
Após um tempo de desânimo e de muita contestação, ele não queria desistir. E manteve seu pensamento dessa forma. Insistiu. Persistiu.

Aos poucos, Lugano foi conquistando seu espaço e sua personalidade foi envolvendo a torcida. O zagueiro também ganhou alguns desafetos: quem aqui não lembra do atrito com o Elano, em 2004? “Lugano, pega o Elano!” era a frase entoada a plenos pulmões pela torcida Tricolor.

Em 2004, após uma série de bons jogos, o uruguaio estava a um passo de virar ídolo e xodó dos São-Paulinos.

Em 2005, Lugano começou com o pé direito. Marcou seu primeiro gol e iniciou um ano de glórias!

Fez partidas excelentes (para não dizer perfeitas) e mostrou o seu valor. Deixou muitos críticos boquiabertos e levou a torcida ao delírio!

Libertadores da América foi uma competição abrilhantada. Nosso elenco era uma constelação. Que zaga! Não há quem diga que o elenco de 2005 não se completava.

Lugano conseguiu mostrar a que veio.

Com toda a sua força, garra, raça e dedicação, ele se tornou um dos maiores ídolos do São Paulo.
Motivo de orgulho escancarado para a torcida e sobretudo para o nosso excelentíssimo presidente.
Aquele era o zagueiro dele! Reverenciem!

Lugano sabia usar a sua força (os adversários que o digam) e sabia se colocar muito bem. Tinha um ótimo senso de posicionamento e assim, definitivamente, se tornou o queridinho da torcida.

Além de impor respeito, ele também conseguia intimidar os rivais com um simples olhar.

Bom… não tão simples assim.

Esbugalhava seus olhos e partia pra cima.

Peitava.

Era temido.

Sabia como fazer com que os outros sentissem medo.

A torcida ficava louca ao vê-lo numa dividida.

Haviam loucos que ousavam passar por ele. Ninguém ultrapassava essa muralha.

Era imbatível. Inigualável. Insuperável e indefinível.

Apesar de tentar achar palavras para defini-lo, fico com a sensação de que nenhuma é capaz de demonstrar toda a admiração que sinto por ele.

Minha idolatria é enorme.

Tento, sem sucesso, achar algo que expresse o que sinto.

Impossível.

Lugano lutava.

Entrava em um jogo como se entra em uma batalha.
De que adianta jogar se não for para vencer?
A sua determinação contagiava toda a equipe.
Se doava como ninguém.
Dava o sangue pelo São Paulo.
Vibrava como se cada jogo fosse uma final de campeonato.
Quem diria que chegaria tão longe?
É Diego DIOS Lugano.
É ídolo incontestável.
Leva consigo o amor pelo São Paulo.
Leva consigo toda uma Nação.

Atualmente, Diego Lugano defende o Fenerbahçe – Turquia e é capitão da Seleção Uruguaia (nossa querida Celeste!)

Ocupa também (em tempo integral) o coração de todos os Tricolores.
Ele é GUERREIRO e nunca perde o seu VALOR!

FêSantana no twitter @tekilando.

Texto original: http://3toques.com.br/blogs/fesantana/2010/10/05/especial-libertadores-2005-diego-lugano/

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Jogo mais longo da história é adiado por falta de luz após 10h de disputa

O blog só é de futebol, mas isso merece registro.

Experimente você, leitor, tentar lembrar de uma partida longa ou de um recorde de duração no tênis. Se lembrou, esqueça. Esta marca caiu hoje, no duelo entre o americano John Isner e o francês Nicolas Mahut, válido pela segunda rodada do Torneio de Wimbledon. Na partida mais longa da história do tênis, os dois ficaram em quadra por 10h, disputaram 877 pontos, dispararam 192 aces e converteram apenas dois break points.


E nem assim saiu um vencedor nesta quarta-feira. O quinto set, empatado em 59 a 59 (é isto mesmo, cinquenta e nove a cinquenta e nove), foi interrompido por falta de luz natural, por volta das 21h de Londres (17h em Brasília). As quatro primeiras parciais foram 4/6, 6/3, 7/6(7), 6/7(3) - primeiros algarismos apontam os games vencidos por Mahut. Apenas a última parcial durou 7h06m, estabelecendo uma nova marca para o set mais longo da história.

- Estamos lutando como nunca fizemos antes. Alguém tem que vencer, então vamos voltar amanhã. A torcida queria ver o fim, mas não deu - lamentou Mahut ao deixar a Quadra 18, lotada.

Isner mostrou curiosidade para saber os números do jogo
- Isto nunca mais vai acontecer. Não sei o que dizer. Ele sacou incrivelmente, eu saquei incrivelmente. Gostaria de ver as estatísticas.

A partida começou na terça-feira, mas foi interrompida quando Isner venceu o quarto set e não havia mais luz natural em Londres para que a disputa continuasse. Os dois voltaram à quadra por volta das 10h (de Brasília) desta quarta e, aos poucos, os recordes começaram a cair: quinto set com mais games na história de Wimbledon, partida de simples mais longa já vista no All England Club, quinto set mais longo de todos os tempos, partida mais longa (simples ou duplas) na história de Wimbledon, número de games disputados desde que o tie-break foi implantado no tênis, etc.

Quando sacou no 75º game do quinto set, Isner disparou seu 79º ace e quebrou também o recorde de Ivo Karlovic, que executou 78 saques, marca considerada inquebrável por muitos. O americano, aliás, teve três match points na primeira metade do quinto set, mas Mahut se safou de todos, sempre com ótimos saques.

No Twitter, outros tenistas se espantavam. "Esta partida não existe", exclamou Andy Roddick. "É muita disposição", ressaltou o indiano Rohan Bopanna, depois de 4h20m de quinto set. Eles estão quebrando todos os recordes. Alguém, disque 911!", brincou o também indiano Mahesh Bhupathi. "Que loucura!", disse o argentino Juan Mónaco. "Ninguém precisa urinar?", perguntou Roddick quando o quinto set já passava de 5h.


Quando a partida chegou à marca de 8h de jogo, por volta das 15h de Brasília (19h locais), a organização decidiu cancelar os jogos seguintes na Quadra 18. Enquanto isso, Isner e Mahut seguiam trocando aces e confirmando serviços.

Placar entra em pane após 100º game

No centésimo game, quando sacou para empatar o set em 50/50, Mahut também chegou a 78 aces, igualando a antiga marca de Karlovic. Neste momento, porém, Isner já havia elevado o recorde para 92. O americano cedeu dois break points (apenas o segundo e o terceiro do francês no jogo) no 101º game, mas se salvou - para variar - com dois ótimos saques.

Foi então que o placar em tempo real do site de Wimbledon entrou em pane. Após o 50/50, o marcador passou a exibir 1/0 Isner, em vez de 51/50. O tempo total de jogo também desapareceu da tela. O placar da Quadra 18 apagou. Os games eram narrados pelo árbitro de cadeira, Mohamed Lahyani. E quando o jogo chegou a 58/57, com 9h40min de partida, o quinto set já era mais longo que as 6h33m da partida mais longa da história até hoje.

A última grande chance do jogo foi de Isner, que teve um quarto match point quando Mahut sacava em 58/59. O francês se salvou com um ace, e dois pontos depois, empatou a parcial mais uma vez. Logo depois, o supervisor do torneio conversou com os jogadores e decidiu adiar o término para o dia seguinte.

FOnte: Globo.com

Fotos: Globo.com

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

O capitão voltou - por Carlos Port

Texto retirado do blog do Marcelo Lima.
http://marcellolima.wordpress.com/

















O Brasileirão, em 2009, abrirá o segundo turno de forma emocionante.

Jogos importantes, partidas equilibradas pelo título e contra o rebaixamento.

Para estar dentro do G4 e fora dos 4 últimos colocados.

Porém, para o são-paulino, é noite de razão e emoção.

Nenhuma torcida terá maior orgulho de estar presente ao estádio que a nação tricolor, na noite de quarta-feira.

Noite de quarta-feira que faz lembrar Libertadores, que faz lembrar de heróis tricolores.

Dentre eles, Rogério Ceni, que estará de volta ao seu lugar, o de Capitão do SPFC, após sua traumática fratura.

E mais uma vez, espetacular superação de limites. Contou com a força do Reffis, com a vocação obstinada de outro alicerce tricolor, que gosta de permanecer alheio aos holofotes, o mestre da fisioterapia, Dr. Rosan. Ele e os demais valorosos profissionais do Reffis e do departamento médico do SPFC, merecem o total agradecimento.

Daquele goleiro que ainda tão jovem, vestia a camisa do SPFC e se tornou campeão da Taça Conmebol, em 1994, desbancando junto do Expressinho Tricolor, rivais de tradição. O primeiro título como titular de uma história que havia começado no Tricolor, em 1990, dia 07 de setembro, independência do Brasil.

Surgia ali um talento promissor.

De talento, ao maior líder em campo dos últimos 20 anos, quem sabe, da história do Mais Querido, nos gramados.

O bastião guerreiro da época das vacas magras, sofrida para o são-paulino, entre 1995 e 2005. Mas Rogério lutou com o SPFC, que reformava o Morumbi, que havia perdido o tempo áureo de Telê.

Jamais esmoreceu nesse período, ganhou sim títulos, derrotou o rival Corinthians no retorno de Raí em 1998, impediu que o Santos saísse da fila em 2000, com golaço de craque, uma de muitas das suas faltas memoráveis. O primeiro, marcado em Araras, contra o União São João, em 1997.

E já são 83 gols, do recordista mundial, do goleiro-artilheiro, Rogério Ceni!

Viu ser revelado para o mundo o menino Kaka, em 2001, na conquista do Rio-SP.

Mas os maiores desafios estavam por vir.

“Para conquistar o mundo, é preciso atravessá-lo”, diz o bandeirão tricolor.

O homem dos “limites ilimitados” sabia disso. E foi atrás do desafio, da saga.

A reconquista da vaga na Libertadores, em 2003.

O drama vivido em 2004, mas ao mesmo tempo, o inesquecível duelo com o Rosario Central.

A maturidade, o ápice estava chegando.

2005. Campeão paulista, herói da Libertadores, gigante do Mundial.

O goleiro-artilheiro se tornara o maior goleiro do mundo.

Não se deu por satisfeito. Era o tempo de buscar a SOBERANIA do Brasil, junto do SPFC.

Tri-Hexa.

Eis a história de um mito, que só o são-paulino pôde vivê-la e contará aos seus filhos e netos.

O legado de Rogério Ceni.

Bom retorno, Capitão! A nação tricolor te espera e o reverencia!

OH O CAPITÃO VOLTOU…

Por Carlos Port

terça-feira, 21 de julho de 2009

Carta de um apaixonado


Fugindo um pouco do objetivo do blog, mas esse texto me emocionou bastante e com autorização do autor, publico em meu blog.

Ver o São Paulo tão incolor, tão pálido, tão sem alma, tão sem raça, tão sem determinação, tão desfigurado como está, me amargura profundamente.

Sou um são-paulino exagerado e passional.Quando o São Paulo perde por omissão os dias que se seguem são difíceis. Não engulo, rumino as derrotas, a semana se arruína. O São Paulo é como um termômetro na minha vida. Levanta e abaixa o meu astral.

Antes de mim, muitos choraram nos anos 30, houve glória nos anos 40. Os anos 50 foram de pouco brilho. Perdi muito nos anos 60, anos de pedra, anos de construção do Morumbi e de afirmação da nossa grandeza. O sacrifício valeu a pena. A partir dos anos 70 o São Paulo virou símbolo de força. Nos anos de minha infância ser são-paulino era algo fora de moda. A partir de 1970 ser são-paulino virou moda.

Acho que evocar nossos heróis em tempos revoltos renova a fé na crença de que jamais voltarão os dias de agrura, de afirmação e de humilhação.Ontem conversei por telefone com um são-paulino histórico. Estive com o filho do gênio Benedito Ruy Barbosa e em dado momento ele ligou ao pai e passou-me o aparelho celular. Falávamos, claro, sobre o São Paulo.

Com o Benedito troquei idéias e voltamos um pouco no tempo. Em poucos minutos remontamos à época da criação do clube, escalei o primeiro São Paulo da história, falamos de Bauer a Paraná, de Raí a Hernanes. Foi tão bom que parece que na semana que vem falaremos ao vivo.

O Ruy não resiste a uma prosa são-paulina. Eu também não.

Quem sabe em razão dessa conversa, hoje já despertei com uma figura lendária assombrando a minha alma tricolor. Não farei suspense. Dizem que eu faço suspense ao escrever. Não faço. Eis o nome: Porfírio da Paz. PORFÍRIO DA PAZ, com letras maiúsculas.

Sabem quem foi Porfírio da Paz, meus iguais?

Espero que saibam. Para os que não sabem e para os que sabem e também para os que reverenciam esse personagem mitológico escreverei as próximas linhas. Serei breve. Você é meu convidado, amigo leitor. Venha comigo. Com calma, com tranqüilidade, com a fleuma e com a paciência de são-paulino.

O São Paulo da Floresta naufragara. Era o fim. Muitos comemoraram o naufrágio, na vida há muitas almas mesquinhas, que se divertem com as tragédias. Mas a cidade não podia ficar sem o São Paulo. O São Paulo ostentava o nome da cidade. São Paulo sem o São Paulo era inconcebível.

Inconformados com a extinção do clube os então poucos são-paulinos se revoltaram. O líder da insurreição chamava-se Porfírio da Paz. Não podia acabar assim aquele sonho.Reuniram-se os irresignados, insuflados por Porfírio da Paz, no centro da capital, no escritório de um advogado, o dr. Silva Freire. Tudo se passou na Rua XI de Agosto, ali pertinho da sagrada Faculdade de Direito do Largo de São Francisco.

Na noite do dia 16 de dezembro de 1935 tudo iria recomeçar. Aqueles homens vestindo ternos escuros estavam escrevendo a página decisiva da epopéia do “clube da fé”. Naquele sítio sagrado, quase no marco zero da futura grande metrópole, era recriado o São Paulo FC. São Paulo sem sede, São Paulo sem patrimônio, São Paulo sem glamour, São Paulo sem ostentação. No dia seguinte, instigados pela obsessão de Porfírio da Paz, o grupo saiu atrás de jogadores, era preciso montar um time. Aquela dúzia de pessoas era liderada pelo homem sobre o qual escrevo.
Porfírio era um são-paulino absolutamente apaixonado pelo sonho dourado de transformar o São Paulo em realidade. Porfírio admirava o Paulistano, era são-paulino da Floresta. Porfírio tinha uma são-paulinidade religiosa. Foi ele que viajou pelo país garimpando talentos. Porfírio trouxe King, o goleiro gigante, nosso primeiro “guarda-valas”. King foi descoberto por Porfírio da Paz no Paraná. King, invenção de Porfírio, foi um goleiro cujo nome sobreviveria pelas noites do tempo, foi um “guardião” que teria o nome consagrado pela história. Foi Porfírio que trouxe a grande maioria dos jogadores que, no mês seguinte, deveriam fazer o primeiro jogo da nossa história.

Estamos no dia 25 de janeiro. O ano? 1936.

Faz tempo, iguais?

Nosso primeiro presidente, Manoel do Carmo Meca, e seus pares, queriam ver o São Paulo estrear no dia do aniversário da cidade. Era questão de honra. Porfírio entregou-se de corpo e alma ao projeto, correu o Brasil e montou o time em tempo recorde.

Nesse dia 25 de janeiro de 1936, o São Paulo e seus bravos refundadores travariam sua primeira batalha, dentro do campo e, principalmente, fora dele.

Porfírio, ao mesmo tempo em que acertava com os atletas, fora a todas as emissoras de rádio, correra as redações dos jornais, a seu pedido a diretoria mandara confeccionar panfletos para distribuir nas ruas, haviam sido afixados cartazes nos postes e bares anunciando a estréia são-paulina para o dia 25 de janeiro, em jogo amistoso, contra a Portuguesa Santista, no Parque Antarctica, campo do Palmeiras. Mas, chegando ao estádio, os diretores se depararam com uma ordem de proibição, expedida pela então Secretaria da Educação do Estado. Um funcionário qualquer, um funcionário daqueles “Caxias”, estava intransigente e agia com arrogância em nome do prefeito: não havia autorização para a realização do espetáculo. Não tinha jogo e ponto final!

O público, reduzido, se mantinha nos portões de entrada do campo e não podia entrar, os diretores discutiam com o convicto representante da autoridade municipal, a estréia tão sonhada, depois de tanta luta, depois da ressureição, no dia do aniversário da cidade, parecia que estava arruinada.

Foi quando Porfírio da Paz declarou guerra: -“onde está o prefeito”? Indagou. E o funcionário respondeu: -“no desfile, na parada da Av. Paulista”. Porfírio voou para a Paulista. Desvencilhou-se da multidão, empurrou pessoas, foi empurrado, abriu caminho e chegou ao palanque das autoridades. Lá estavam, dentre outras personalidades, a figura do dr. Armando Salles de Oliveira, o então interventor do estado.

Porfírio ignorou o protocolo, pendurou-se ao palanque, foi direto ao interventor e pediu encarecidamente a ele que autorizasse a realização do jogo, afinal era o São Paulo que queria fazer seu primeiro jogo no dia do aniversário da cidade, era um acontecimento histórico!

O burburinho no local era grande, Porfírio teve que urrar para ser ouvido, entre hinos e discursos.

Mas Armando Salles de Oliveira era um paulistano da cepa, um quatrocentão. O Interventor não poderia deixar de ser simpático à idéia. Armando imediatamente chamou o Secretário da Educação, que também estava no palanque, e ordenou-lhe que liberasse o evento. Cantídio Campos, o secretário, era médico. Em seu próprio receituário, Cantídio escreveu as palavras que representavam o salvo-conduto para que o São Paulo estreasse.

Porfírio voltou, com o coração aos saltos, com os olhos marejados e como um raio ao estádio do parque Antarctica e esfregou o papel na fuça do funcionário chato. Os portões se abriram, o público entrou, o tricolor faria, quase que na marra, seu primeiro jogo, que terminou 3 x 2 em nosso favor. King, Ruy e Picareta, Ferreira, José e Segôa, Antoninho, Gabardo, Juca (Fogueira) Carrazo e Paulinho foram os primeiros heróis de nossa santa jornada. Eles vestiram, pela vez primeira, a sacrossanta camisa das três cores.

No dia seguinte o São Paulo foi inscrito na Liga Paulista e tudo começou. Daí em diante não era mais sonho.

Mas foi duro. Duro?

Foi um martírio!

Imagine, meu igual, um time que não era clube, imagine um time que não era clube e que não tinha torcida; e imagine um grupo apaixonado por um time que não tinha clube nem torcida e muito menos dinheiro para fazer frente aos já consagrados Corinthians, Palmeiras, Portuguesa e Santos. Os adversários, gargalhavam, duvidavam, desdenhavam. Éramos motivo de chacota.

Porfírio, o visionário, fazia listas de doação, elaborava “livros de ouro”, visitava autoridades, pedia recursos através da imprensa, convocava os são-paulinos para que comparecessem aos jogos, implorava auxílio. Antológica é a passagem histórica que nos revela um Porfírio eloqüente, um orador tomado de paixão, fazendo um verdadeiro discurso na falecida Rádio Cruzeiro do Sul em prol da sensibilidade do povo para que ajudasse o São Paulo. O São Paulo não podia morrer de novo. São Paulo não podia deixar o São Paulo morrer!

Ao sair do estúdio, já na rua, um lixeiro abordou Porfírio e deu-lhe todo o dinheiro que tinha no bolso. “- ouvi as suas palavras. Minha família ficará sem o necessário, mas não quero ver o São Paulo morrer”-, disse-lhe o pobre homem.

Porfírio da Paz enfrentou o pesadelo da penúria que aterrorizava o São Paulo nas décadas de 30 e 40. Foi Porfírio o nosso porta-voz, foi Porfírio o nosso anjo da guarda, foi ele o nosso baluarte, era de Porfírio que ecoavam os gritos que nos encorajavam a antever o futuro.Acha que estou saudosista, meu igual?

Nesses tempos de um São Paulo tão medíocre, tão descompromissado com a nossa história de lutas será que não é para estar?Ser são-paulino é ser muito mais do que podem imaginar os demais. Ser são-paulino é ter fé. Mas, muito mais do que ter fé, é ser guerreiro, o São Paulo não combina com a indiferença. Só nós ostentamos o nome da maior cidade e do maior estado da federação, só nós estreamos no dia em que se festeja o nascimento da terra dos bandeirantes.

Porfírio da Paz é um verdadeiro personagem de epopéia, é um nome inesquecível, por que será que, no Morumbi, não há uma placa, um busto, uma estátua de Porfírio?Nosso saudoso herói esteve à frente de todas as lutas. Porfírio era militar. De cabo, chegou a general. Porfírio era do bem. Porfírio morreu pobre, encantado com o crescimento do clube que ajudou a fundar.

Em certa ocasião, depois de ter entregue ao São Paulo tudo que possuía, depois de angariar dos são-paulinos tudo que poderiam dar, depois de tantas batalhas, Porfírio recebeu em casa um Oficial de Justiça. O homem vinha notificá-lo de que perdera a casa onde morava, em razão da falta de pagamento do financiamento.A família chorava na sala.

Porfírio os estimulou. Dinheiro ia e vinha. O São Paulo era para sempre.

Foi nesse dia que Porfírio, ao abandonar a casa perdida, ao lado de mulher e filhos e com os olhos marejados de lágrimas cantarolou: “- Salve o tricolor Paulista, amado clube brasileiro, tu és forte tu és grande, dentre os grandes é o primeiro”- Foi nesse dia que ele compôs o hino do São Paulo FC.

Querem mais, meus iguais?

Não. Não é preciso mais. Será que alguém poderia contar essa história aos nossos atuais dirigentes e jogadores?

Se alguém puder, que o faça.

Vibrações de fé a todos.

Saudações tricolores.

Antonio Carlos Sandoval Catta-Preta é advogado e são-paulino
catta_preta on twitter