A Grécia se encontra afundada numa grave crise financeira da qual parece que não sairá tão cedo. Ao gastar mais do que podia na última década, pedindo empréstimos pesados e deixando a sua economia refém de uma dívida crescente, os cofres públicos do país esvaziaram. As medidas reparadoras anunciadas pelo governo, como o congelamento dos salários do setor público e o aumento de impostos, por outro lado, não melhoraram a situação, gerando protestos que resultaram na morte de três pessoas.
Como não poderia deixar de ser, além de se mostrarem preocupados com a redução de seus vencimentos, os trabalhadores gregos temem perder também seus empregos. É uma situação que, no entanto, não afeta a Otto Rehhagel. O treinador alemão, responsável pela conquista da Eurocopa em 2004 e por conduzir o país de volta a uma Copa do Mundo depois de 16 anos, já recebeu uma sondagem dos dirigentes para renovar o seu contrato até 2012.
No momento, as negociações estão paradas, mas a tendência é que ele permaneça à frente da seleção grega. O segundo técnico mais longevo no comando de uma equipe no Mundial, Rehhagel está no cargo desde 2001. O retrospecto pouco animador da Grécia nas competições mudou radicalmente sob a sua gestão, estabelecendo, segundo a imprensa e os torcedores locais, o período de maior sucesso do futebol local em sua história.
King Otto, como passou a ser conhecido no país, é constantemente criticado pela falta de apetite ofensivo da seleção helênica. Ele admite a opção pela retranca e argumenta que, se tivesse à sua disposição Kaká, Messi ou Xavi, faria diferente. Como não tem, resta ao treinador manter a sua aposta em jogadores que, mesmo após o título europeu, não se tornaram mais conhecidos pelo continente. Ainda hoje, o elenco grego é formado por atletas que, em sua maioria, não passam de coadjuvantes em seus times.
Conservador por natureza, Otto Rehhagel chegou a acenar com uma renovação no grupo nos últimos meses. Mas, no fim das contas, como já era esperado, manteve a sua aposta nos atletas que o acompanharam ao longo dos anos. As novidades foram apenas o meia do Panathinaikos, Sotiris Ninis, e o zagueiro do Genoa, Sokratis Papastathopoulos. Promovidos durante a sua passagem, Vasilis Torosidis e Samaras também foram chamados.
Com um salário de pouco mais de 1 milhão de euros, Rehhagel pretende deixar o fechamento de um novo contrato para o fim da Copa. Segundo especulam, na conversa inicial que teve com os dirigentes, a proposta foi de um corte de 30% nas cifras atuais. O futebol, é claro, não poderia passar imune à crise que abala a Grécia e que tanta preocupação causa pelo mundo. Em meio a esse cenário de incertezas, o técnico alemão e o seu ferrolho defensivo partem para a África do Sul.
Ficha técnica
Treinador: Otto Rehhagel
Destaque: Karagounis
Fique de olho: Sotiris Ninis
Time-base: Tzorvas; Seitaridis, Kyrgiakos, Papastathopoulos, Torosidis; Tziolis, Karagounis Katsouranis; Samaras, Gekas e Salpiggidis
Porque...
Por que acreditar que a crise financeira não afetará a seleção no Mundial?
As maiores dúvidas gregas recaem sobre a renovação de Otto Rehhagel, um treinador de 71 anos, o mais velho da Copa do Mundo, e que certamente não liga mais tanto para questões financeiras como em outra fase de sua carreira. Paralelamente a isso, é preciso confortar a população do país com uma boa atuação.
Fonte: por Marcus Alves, da revista ESPN
Sem comentários:
Enviar um comentário