Ocupar a 187ª posição no Ranking Mundial da
FIFA/Coca-Cola sem dúvida está longe de ser uma façanha. Porém, para a
Papua-Nova Guiné, isso marca nada menos do que o primeiro passo de uma
evolução gradual e planejada, que começou com a volta do país oceânico à
lista mundial no mês de setembro, após um longo período de inatividade
de sua seleção.
Na verdade, as partidas dos
papuásios nos Jogos do Pacífico 2011, disputados na Nova Caledônia
entre os meses de agosto e setembro, foram os primeiros desde julho de
2007. Essa parada de quatro anos foi o motivo pelo qual o país havia
saído do ranking mundial. Por isso, esse retorno ao cenário
internacional deu à Papua-Nova Guiné uma boa razão para ficar otimista.
Volta com estilo
Apesar de não ter se classificado para as fases decisivas dos
Jogos do Pacifico, o país pode se animar com o desempenho que teve
diante de selecionados com mais experiência na região. Dos 11 membros da
Confederação Oceânica de Futebol (OFC, na sigla em inglês), oito
participaram do torneio. Além dos papuásios, estiveram presentes Samoa
Americana, Ilhas Cook, Fiji, Nova Caledônia, Ilhas Salomão, Taiti e
Vanuatu. A única grande ausência foi a da Nova Zelândia.
Papua-Nova
Guiné venceu as Ilhas Cook e também o Kiribati — país afiliado à OFC,
mas não à FIFA, o que impediu o resultado de valer pontos para o
ranking. Os papuásios também arrancaram um empate em 1 a 1 com o Taiti,
que acabou ficando o bronze posteriormente. A única derrota foi um 2 a 0
para Fiji, seleção com muito mais tradição na região. No entanto, o
placar acabou custando caro para os fijianos, que ficaram de fora das
semifinais por terem um saldo de gols pior que o dos taitianos.
Justamente
Fiji será o cenário do próximo passo importante da Papua-Nova Guiné, já
que é lá que será disputada a segunda fase das eliminatórias oceânicas
para o Brasil 2014. Os papuásios foram liberados de jogar a primeira
etapa, mas não se deram bem no sorteio para o torneio de junho do ano
que vem — que valerá também como a Copa das Nações da Oceania, dando uma
vaga ao campeão na Copa das Confederações da FIFA 2013.
Porém,
o objetivo principal do país será alcançar a terceira e última fase das
eliminatórias da Oceania para o Mundial do Brasil. Para isso, precisa
terminar entre os dois primeiros colocados, em um grupo que também conta
com a Nova Zelândia, que esteve na África do Sul 2010, com Fiji,
anfitrião do torneio, e com as Ilhas Salomão, ex-vice-campeã
continental.
Ambição evidente
Apesar de a seleção ter ficado inativa
por vários
anos, o avanço em outras áreas é inegável. O principal expoente disso é o
Hekari United, clube da capital, Port Moresby, que alcançou algo
inimaginável ao se classificar para a Copa do Mundo de Clubes da FIFA no
ano passado. Com um elenco formado por jogadores de várias das ilhas do
Pacífico, o time foi o primeiro de fora da Nova Zelândia a vencer a
Liga dos Campeões da Oceania e, assim, garantir presença no Mundial. A
campanha do Hekari não só chamou muita atenção em um país
predominantemente rural, onde o rúgbi é por tradição o esporte número 1,
como também permitiu que alguns membros da equipe, como
Kema Jack, ganhassem uma inestimável experiência internacional.
Outro
sinal claro das intenções da federação papuásia foi ter contratado o
ex-técnico da Austrália, Frank Farina, no último mês de fevereiro. Ao
lado de Ricki Herbert, treinador da Nova Zelândia, Farina, que passou
parte da infância na Papua-Nova Guiné, é quem tem mais experiência no
comando de seleções em todo o continente, já que esteve à frente dos
australianos entre 1999 e 2005, disputando duas eliminatórias e duas
Copas das Confederações da FIFA.
A curta
trajetória do país em torneios classificatórios para o Mundial tem um
percurso incomum. Os papuásios, que só disputaram as prévias da França
1998 e da Alemanha 2006, conquistaram nas eliminatórias o melhor
resultado de sua história: uma vitória em casa sobre a Nova Zelândia por
1 a 0, em 1997. Há seis anos, eles voltaram a mostrar competitividade,
empatando com Vanuatu. Agora, os próximos 12 meses serão fundamentais
para esta nova etapa do futebol do país, embora haja indícios de sobra
para acreditar em uma ascensão à elite do continente.